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sábado, 11 de julho de 2009

como se fala

Lembre-se de que o correto é: sempre menos - nunca menas.
calota - não Carlota, a que era Joaquina foi-se embora a muito tempo, e desta terra não levou nem o pó.
iogurte - não iorgute.
mortadela - nunca mortandela.
mendigo - não mendingo.
travesseiro - nunca trabisseiro, a não ser que vc esteja gripado(a).
vassoura - não bassoura, assim como travesseiro.
trezentos gramas - não trezentas gramas, o correto é O grama e não A grama.
simplesmente maior ou menor de idade - não precisa do DE: de menor, de maior.
cadarço - não cardaço.
digestão - não digestã.
umbigo - nunca imbigo. Lembre-se de que temos só UM umbigo.
asterisco - nunca asterístico, asterisco é uma estrela pequena, como chuvisco é pouca chuva, certo?
beneficente - sem o i, não é beneficiente.
Mal - contrário de BemMau - contrário de Bom
A casa é GEMINADA (do latim geminare = duplicar) e não GERMINADA que vem de germinar, nascer, brotar.
O certo é CUSPIR e não GOSPIR nem GUSPIR.
O certo é BASCULANTE e não VASCULHANTE, aquela janela do banheiro ou da cozinha.
Se v. estiver com muito calor, poderá dizer que está "suando" (com u) e não "soando", pois o que "soa" é sino!O peixe tem ESPINHA (espinha dorsal) e não ESPINHO. Plantas têm espinhos.
Homens dizem OBRIGADO e mulheres OBRIGADA.
O certo é HAJA VISTA (que se oferece à vista) e não HAJA VISTO.
CORRETO : "FAZ dois anos que não o vejo" e não “FAZEM dois anos” (ERRADO)
POR ISSO e não PORISSO.
"HAVIA muitas pessoas no local" e não “HAVIAM”.
PROBLEMA e não POBLEMA ou POBREMA (deixe isso para o Zé Dirceu)
A PARTIR e não À PARTIR.Para EU fazer, para EU comprar, para EU comer e não para MIM fazer, pra mim comprar ou para mim comer, mim não conjuga verbo; apenas “eu, tu, eles, nós, vós, eles". É como eu dizia quando pequena... "Tudo eu, tudo eu!" - Eu faz tudo, MIM não faz nada.
Você pode ficar com dó (ou com um dó) de alguém, mas nunca com "uma dó"; a palavra dó no feminino é só a nota musical (dó, ré, mi, etc. etc.).

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)