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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Texto e interpretação: CORDEL ADOLESCENTE, Ó XENTE!


Sou mocinha nordestina,
Meu nome é Doralice,
tenho treze anos de idade,
conto e reconto e que disse,
pois me chamo Doralice,
sou quem vende meu cordel
nas feiras lindas de longe
onde a poesia se esconde
nas sombras do meu chapéu!

Eu falo tudo rimado
no adoçado da palavra
do Nordeste feiticeiro;
no meu jeito brasileiro,
aqui vim dizer e digo
que escrevo muito livro
que penduro num cordel,
todo fato acontecido
eu coloco num papel!

Vim pra feira, noutro dia,
armei a minha poesia
num cordel de horizonte.
Quem passava no defronte
daquilo que eu vendia,
parava e me escutava,
pois sou mocinha falante,
declamava o que escrevia!

Contei de uma garota
que amava um cangaceiro,
era um tal cabra da peste,
um valentão do Nordest
que montava a Ventania,
trazia susto e coragem
por cada canto que ia!
Virge Maria!

O nome da tal mocinha?
Não digo... é um segredo,
escrevo o que não devo,
invento, pois tenho medo
de contar que a tal menina
era... toda fantasia!
(...)
Sylvia Orthof. Cordel adolescente, ó xente!. São Paulo, Quinteto, 1996.

1. O cordel, uma narrativa em versos, é um tipo de texto elaborado para ser declamado ou cantado.
a) O texto que você leu se inicia com uma apresentação. Quem se apresenta ao leitor/ouvinte? Qual o seu nome e o que faz?
b) Qual é a estratégia empregada pela cordelista para atrair a atenção das pessoas para o seu cordel?
c) Qual é o tema do cordel?

2. Na 4ª estrofe, a narradora começa a contar a história da garota que amava um cangaceiro.
a) Que aspectos do cangaceiro são ressaltados nessa estrofe?
b) Que expressão tipicamente nordestina é usada para qualificar o cangaceiro?
c) Transcreva a expressão da linguagem oral empregada pela narradora. Que significado ela adquire no contexto?

3. Ao referir-se à mocinha da história, na 5ª e 6ª estrofes, a narradora não a identifica claramente. Por que ela utiliza esta estratégia?

4. A primeira vez que Bertulina viu o cangaceiro, algo aconteceu.
a) Que imagem representa o despertar do amor em Bertulina?
b) Que verso expressa a emoção incontida desse momento?
c) Que efeito de sentido é decorrente dessa escolha?

5. O cangaceiro é caracterizado na 9ª estrofe.
a) Que versos mostram o seu jeito de ser?
b) O que esse trecho revela sobre as características do cangaceiro?

6. A 11ª estrofe narra o momento em que explode a paixão de Bertulina.
a) Que substantivos empregados nessa estrofe podem ser associados às sensações vividas por Bertulina?
b) Que sentido os substantivos empregados nessa estrofe atribuem ao momento narrado e consequentemente ao sentimento de Betulina?

7. Na 13ª estrofe, Bertulina, após o beijo, afirma estar assustada.
a) Qual a preocupação dela em relação ao beijo?
b) Na fala de Bertulina, o que as reticências podem revelar?

8. Doralice e Bertulina são a mesma pessoa.
a) Que pistas, no texto, podem levá-lo a concluir isso?
b) Com que objetivo a narradora pode ter usado essa estratégia na sua história.

Sugestões: Assistiam aos filmes:
“Um lugar chamado Nottig Hill” ou “Lisbela e o prisioneiro”
São filmes que retratam amores impossíveis.

7 comentários:

  1. OI, boa noite, adorei a atividade, pode me passar o gabarito??
    GRata, Aline .

    ResponderExcluir
  2. Nossa minha professora passou esse Cordel hoje

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu tembem já vi esse cordel e muito bom

      Excluir
  3. Minha professora passou...

    ResponderExcluir
  4. OlÁ... AMEI A ATIVIDADE..´PODE ME ENVIAR O GABARITO?

    ResponderExcluir
  5. Olá.... Eu adorei essa atividade...
    Parabéns....
    Gostaria de receber o gabarito....
    Como faço para receber....
    cristianelm.adv@gmail.com
    Obrigada

    ResponderExcluir
  6. gostaria de receber texto em forma de poema com gabarito
    agradeço.

    ResponderExcluir

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)