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sábado, 11 de julho de 2009

Jogo da memória (verbos)

O exemplo a seguir mostra o ensino de verbos através de um jogo. Ele pode ser adaptado para qualquer matéria que você queira ensinar. Experimente utilizá-lo, é muito fácil!
Material: em cartões de cartolina, escreva uma frase pertinente à matéria que quer ensinar.
No exemplo, foram usados os verbos: Eu nado na piscina. Tu nadas no mar ? O relógio bate a hora certa. Nós batemos na porta ... toc ... toc ... toc ... Vós partireis agora ? Eles partem de trem. Eu nadei no mar. Tu nadaste na piscina ! Papai vendeu o carro. Nós vendemos maçãs na feira ontem. Vós partistes o bolo ? Os jovens partiram o ovo de chocolate. Amanhã, eu partirei para Roma. Tu partirás a torta ? Ele nadará na piscina do clube. Nós nadaremos na competição. Vós vendereis a casa ! Papai e mamãe venderão revistas numa loja.
1o pessoa, singular, presente 2o pessoa, singular, presente3o pessoa, singular, presente1o pessoa, plural, presente2o pessoa, plural, presente3o pessoa, plural, presente1o pessoa, singular, passado2o pessoa, singular, passado3o pessoa, singular, passado1o pessoa, plural, passado2o pessoa, plural, passado3o pessoa, plural, passado1o pessoa, singular, futuro2o pessoa, singular, futuro3o pessoa, singular, futuro1o pessoa, plural, futuro2o pessoa, plural, futuro3o pessoa, plural, futuro
Note que cada frase corresponde a um tempo de verbo. O objetivo é, com as fichas viradas para baixo, achar o par correto: frase e tempo de verbo. Ou seja, o velho jogo de memória.
Dicas1 - Para que o jogo funcione melhor, divida a turma em grupos pequenos - quatro jogadores é o ideal.2 - Peça que todos anotem os pares de frases nos cadernos.3 - Explore as possibilidades do jogo. Por exemplo, no caso dos verbos, você ainda pode pedir para os alunos passarem as frases do singular para o plural, e vice versa; para desenvolverem um texto a partir de uma das frases; e muito mais.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)