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sábado, 28 de agosto de 2010

texto, interpretação e produção textual

SARA E RANULFO

Ela era miudinha, os cabelos bem apertados em duas tranças com laços de fita bem engomados.
A professora a colocou na primeira fileira do meio para que ela pudesse enxergar bem as lições no quadro.
Seu nome era Sara e era nova na escola, pois tinha vindo de uma cidade que ficava muito longe. No primeiro dia que respondeu à chamada com sua vozinha apagada e aos pulinhos __ Sara __ todo mundo riu do seu jeito acanhado. Além do mais ela tinha pintinhas na ponta do nariz e por isso Sara ficava sempre quietinha, e trazia seus cadernos bem limpinhos e arrumadinhos para que a professora não a chamasse na hora da leitura do dia.
Ele era o mais forte dos garotos da classe e, embora lhe faltassem na frente dois dentes que atrasavam em aparecer, se fazia de muito grande, não ligando que a camiseta ficasse sempre amassada e as pontas do tênis estouradas de tanto chutar bola.
Era tão levado que a professora o colocou na última cadeira da última fila para que não atrapalhasse quando ela escrevia as lições no quadro. De lá, pelo menos era mais difícil atirar bolinhas de papel em suas costas.
Seu nome era Ranulfo, e como se não bastasse, tinha os cabelos vermelhos e as mesmas pintinhas na ponta do nariz. Por isso, antes que alguém se atrevesse a rir dele, ia logo distribuindo umas caras de “quem é mais forte aqui sou eu, viu?” e incluía nisso até a pobre da professora.

VIEIRA, Regina. In: PERSHUN, Janice Janet. Linguagem vivenciada – 4 série. São Paulo: Ed. do Brasil, s. d., p. 36-37.

DANDO OPINIÃO
1. De quem você gostou mais: de Sara ou de Ranulfo? Por quê?
2. O nome “Ranulfo” é comum?
3. O que você acha desse nome?
4. Se você fizesse parte da turma em que Sara estudava, também riria dela no seu primeiro dia de aula? Por quê?

VENDO COMO O TEXTO FOI ESCRITO

1. Como é Sara fisicamente?
2. Como é o jeito de sara?
3. Como Sara se comporta?
4. Como Ranulfo fisicamente?
5. Como Ranulfo se comporta?

ESCREVENDO OUTRO TEXTO
Responda:

a) Como você se chama?
b) Quantos anos você tem?
c) Em que escola você estuda e em que série está?
d) Você é alto (a) ou baixinho (a)?
e) Qual é a cor da sua pele?
f) Qual é a cor de seus cabelos?
g) Seus cabelos são curtos ou compridos, lisos ou encaracolados?
h) Qual é a cor de seus olhos?
i) Você é quieto (a) ou agitado (a)?
j) Como você se comporta na sala de aula?
k) Como é seu relacionamento com seus colegas?
l) Quais são as coisas que você mais gosta de fazer?
m) Que outras coisas mais você acha interessante falar sobre você?


Aproveite as respostas que você deu e faça um texto. As respostas de a até c devem estar num parágrafo; as de d a h, em outro; as de i a k, em outro; em outro ainda as de l; e, por último, a resposta do item m deve ficar em mais um parágrafo.
Um detalhe importante: o fato de aproveitar suas respostas não quer dizer simplesmente coloca-las uma depois da outra, só tirando as perguntas. Elas apenas serão um apoio para você escrever seu texto.

E atenção: não se esqueça de colocar um título em seu texto

Um comentário:

  1. Adorei seu blog, já estou te seguindo.
    Passa lá no meu para uma visitinha, ficarei muito feliz!!
    Bjss

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)