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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caderno de leitura: poesias

Mãe... a minha é diferente!
Evelyn Heine

Dizem que mãe é tudo igual.
Só muda o endereço.
Mas a minha é mais legal,
A melhor que eu conheço.

Minha mãe é diferente,
Com sotaque engraçado.
Ela faz tudo ao mesmo tempo,
Deixa o tempo até cansado.

Conversa com todo mundo de uma vez,
Faz pergunta e nem ouve a resposta.
Você fala, ela já está longe,
Mas é assim que a gente gosta.

Do seu jeitinho, nos conquistou
A todos os filhos, genros e netos.
Um favor nunca negou.
Dá conselhos sempre espertos.

Sua mãe também deve ser única, sem igual.
Aposto que é especial!
Porque mãe é feita de encomenda pra gente,
Só o amor é que é igual.


Doencite
Evelyn Heine

Às vezes a gente acorda
Achando tudo errado:
Nariz tapado,
Olho embaçado,
Braço cruzado.

Tontura, enxaqueca...
Tem nhaca de todo lado.
Quem será que me botou
Todo esse mau-olhado?

Dorzinha esquisita,
Será que é sério?
Ai, corpo humano...
Quanto mistério!

Depois, tudo passa!
Vai como veio!
E até acho graça
De tanto receio!

Água doce, doce água
Evelyn Heine

De mar é feita a terra,
De água é feita a gente.
Abaixo o desperdício!
Poupar água: coisa urgente!

Clara, doce ou gelada,
Verde, azul ou transparente,
Sem a água não há nada.
Nem floresta, nem semente.

Água doce mata a sede,
Água doce é a que lava.
Cachoeira, rio ou fonte...
Só não pode ser salgada.

Tanto bate até que fura,
Diz ditado popular...
Cuida dela! Você jura?
Vamos economizar!

BI, BI, FON, FON!
Evelyn Heine

Carro cachorro louco
Late, buzina, avança!
Um rosnando para o outro
Feito briga de criança.
Pra que isso, minha gente?
Paz é mais inteligente!
Na estrada ou na rua
O caminho vai e volta.
Passa a vida das pessoas,
Passa o sol, passa a paisagem.

Passam carros coloridos,
O destino na bagagem.
“Quem fica parado é poste”,
Como diz José Simão.
Para o trânsito dar certo,
Tem a sinalização.
Eu vou, tu vais, ele vai.
Nós vamos, vós ides, eles vão.
Cada um tem seu caminho,
Mas não vale contramão!
Se eu pego a contramão,
Passo no sinal fechado,

Está feita a confusão.
É encrenca pro meu lado.
Vai falar no celular,
Ou mudar de estação?
Então é melhor parar!
Dirigir pede atenção.
Pra que serve tanta placa?
Tem até uma com vaca.
Menino, montanha, “E” com “X”...
Tem flechinha pra cá e pra lá...
Eu pergunto e meu pai diz:
“Serve para organizar”.

OLHA A CARETA!
Evelyn Heine

Amanda era uma menina bonitinha.
Cheia de sardinha. Cabelo de trancinha.
Tão engraçadinha!
Mas foto dela, não tinha.
Na hora de tirar fotografia, só fazia estripulia.
Não ria.
Nem sorria.
Sabe o que é que aparecia?
Só careta! De todo jeito... Nariz torto, boca torta, só folia.

A cara mesmo, ninguém via.
O pai pedia:
– Risadinha, minha filha!
Aí ela estufava as bochechas o mais que podia. Ficava com cara de melancia.
A mãe dizia:
– Faz "X", filhinha!
Mas não fazia. Nem pra vovó, nem pra titia.
"Ninguém me manda", sacudia Amanda.
Mas um dia, um belo dia, a danadinha arranjou um namorado. E ele pediu uma foto. Pra guardar na carteira, com os adesivos de estimação, um chiclete e duas moedas.
– Xi... não tenho. – disse Amanda, desenxabida.
– Ora, então tira. – pediu o namorado.
– Não posso. – tristinha, disse ela...
– ...Agora estou banguela!

ORAÇÃO DO ESTUDANTE
Senhor,eu sou estudante, e por sinal,
Inteligente.
Prova disto e o fato de eu estar aqui,
Conversando com você.
Obrigada pelo dom da inteligência e
pela possibilidade de estudar.
Mas,como você sabe, Cristo, a vida de
estudante nem sempre é fácil.
A rotina cansa e o aprender exige uma
Série de renúncias: o meu cinema, o meu
jogo preferido, os meus passeios, e também
alguns programas de TV.
Eu sei que preparo hoje o meu amanhã.
Por isso lhe peço, Senhor, ajuda-me a
ser bom estudante.
Dê-me coragem e entusiasmo para recomeçar
Abençoe a mim, a minha turma e os meus
Professores.
Amém.

A VELHA A FIAR

ESTAVA A VELHA NO SEU LUGAR
VEIO A MOSCA LHE FAZER MAL
A MOSCA NA VELHA, A VELHA A FIAR...
ESTAVA A MOSCA NO SEU LUGAR
VEIO A ARANHA LHE FAZER MAL
A ARANHA NA MOSCA,
A MOSCA NA VELHA, A VELHA A FIAR...
ESTAVA A ARANHA NO SEU LUGAR
VEIO O RATO LHE FAZER MAL
O RATO NA ARANHA,
A ARANHA NA MOSCA,
A MOSCA NA VELHA, A VELHA A FIAR.
ESTAVA O RATO NO SEU LUGAR,
VEIO O GATO LHE FAZER MAL,
O GATO NO RATO,
O RATO NA ARANHA,
A ARANHA NA MOSCA,
A MOSCA NA VELHA, A VELHA A FIAR.

DA TRADIÇÃO POPULAR

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)