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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Contra as drogas: educação, prevenção, projetos de vida.

Quando o tema é "uso de drogas", a primeira reação é o medo. Uma profusão de pensamentos e receios vem à cabeça dos pais, em geral misturada a posturas e conceitos como "informar", "proibir", "reprimir", "tratar". Não é para menos: as drogas e os muitos males associados, como o sexo irresponsável, a Aids, a hepatite e outras doenças, constituem um dos maiores problemas da saúde em todo o mundo, neste novo século.
A faixa etária da iniciação dos indivíduos no mundo das drogas progressiva e perigosamente aproxima-se do final da infância e da pré-adolescência. Banalizados, barateados, difundidos por uma contravenção cada vez mais estruturada e difícil de combater, os psicotrópicos são hoje facilmente encontráveis nas cidades. Quem os procura não precisa mais ir a pontos conhecidos de tráfico, como favelas; basta andar à toa pelas ruas, e possivelmente será abordado.
Diante desse quadro, é natural e necessário que os pais se perguntem: o que devo fazer? Quando e como devo começar a evitar que meus filhos caiam nessa armadilha?
A resposta não é óbvia, mas é surpreendente e esperançosa. Os pais devem orientar os filhos desde os primeiros anos de vida.
Até bem pouco tempo, escolas, educadores e especialistas trabalhavam sob a falsa idéia de que o caminho da prevenção restringia-se à informação dos jovens sobre os perigos das drogas e à advertência quanto às possíveis conseqüências. A grande maioria das campanhas publicitárias antidrogas (entre elas o cigarro, é preciso lembrar) buscava amedrontar para inibir os adolescentes. Apesar disso, continuou aumentando o número de usuários de maconha e cocaína, segundo levantamentos das agências de saúde.
As pesquisas mais recentes sobre o tema comprovaram que 95% dos adolescentes usuários conhecem os efeitos nocivos do uso de drogas. Alguns pesquisadores até afirmam que a informação dos efeitos das drogas leva os adolescentes a terem curiosidade e a experimentar.
Da mesma forma, as campanhas revelaram um fator de suma importância, que são as características próprias do mundo do adolescente: a necessidade de transgressão de regras, de aceitação em um grupo social e a imitação de exemplos eleitos. Da mesma forma, o traço de onipotência, tão próprio da juventude, leva a certezas ingênuas como "eu paro de fumar na hora em que eu quiser".
De fato, é preciso estabelecer distinções. Muitos experimentadores podem nunca mais repetir a incursão no mundo das drogas ou passar a fazê-lo esporadicamente, sem conseqüências graves. Mas uma pequena porcentagem certamente passará a usar drogas de forma regular, no início todo fim de semana até chegar ao consumo diário... aí, há conseqüências gravíssimas, tais como abandono escolar, isolamento social, sexo irresponsável, risco de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a Aids e a Hepatite C e morte prematura. Hoje, estima-se que as drogas sejam diretamente responsáveis por 40% das causas externas de óbito na adolescência.
O grande problema é justamente que ninguém (e muito menos os adolescentes) sabe quem entre os experiementadores serão apenas usuários ocasionais ou quem se tornará dependente. Há indicações claras de que, quanto mais cedo ocorre o primeiro contato, maiores são as chances de se chegar à dependência.
Há também uma certeza cada vez mais sedimentada entre os grandes estudiosos do tema que diz respeito diretamente à ação dos pais e da Escola, e é justamente o tema central deste artigo.
A questão é que uma forma eficaz de prevenção é oferecer, desde muito cedo, alternativas de prazer e felicidade às crianças e aos jovens. Consumo de drogas está diretamente ligado à busca do prazer, à ilusão de felicidade em um mundo difícil, competitivo, que vende beleza, riqueza e felicidade sem limites em pílulas na TV, no cinema, nos outdoors, nas revistas, na web.
O contrário das drogas não é a informação (ainda que informar seja de fato imprescindível), mas o amor à vida. Fugir das drogas não é abster-se dos prazeres da existência, mas saber escolhê-los, é saber torná-los orgânicos em projetos sólidos de vida, é saber que não há felicidade sem frustração, pois a vida tem frustrações cotidianas; fugir das drogas é construir a percepção de que cada um é inescapavelmente responsável pelo próprio destino.
Ora, se partimos dessa premissa, que largo campo de ação (e de esperanças) abre-se para todos nós.
Isso é Educação Preventiva. Para isso, concorrem muitas opções. Uma delas é oferecer fontes de experiências saudáveis e de qualidade de vida, como a arte, o esporte, o lazer rico e diversificado, a ação social (por exemplo, de voluntariado), a vivência ambiental, a formação de grupos equilibrados de amigos.
Enfim, por muitos caminhos, estratégias e instrumentos, educadores e pais devem se orientar para a formação de crianças e jovens que tenham amor à vida, que possam construir projetos, que aprendam a resistir, com segurança e sem desespero, às frustrações, que tenham auto-estima e, sim, que conheçam detalhadamente os enormes riscos associados ao consumo de drogas.
Maria Helena Bresser
Doutora em Psicologia
Diretora Pedagógica do Colégio Móbile
Fonte: Colégio Móbile

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)