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domingo, 19 de agosto de 2012

Atividades com a Nova ortografia - Grafia e acentuação



Inez Sautchuk*
Ponto de partida:
Para incorporar as alterações do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, é necessário que o aluno já saiba as regras anteriores (veja Acentuação gráfica).
Essa incorporação será realizada utilizando-se material escrito, de preferência nos gêneros da vivência do aluno.
Objetivos
1. Atualização em relação ao novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Reflexão sobre o fato de que a língua é algo vivo e que mudanças já ocorreram e ocorrem, sem que, entretanto, isso faça com que ela perca sua identidade.
2. Demonstração de que não foi a língua portuguesa que mudou: o que ocorreu basicamente foram alterações de natureza gráfica.
3. Demonstração de que a língua portuguesa só se alteraria de fato se acontecessem modificações de natureza mórfica e/ou sintática, isto é, se houvesse, por exemplo, mudança na estrutura dos radicais, dos afixos e na maneira de flexionar as palavras ou se houvesse diferença nos arranjos sintáticos de construção de frases.
Estratégias
1. Use material da mídia escrita em geral (bons jornais e revistas, sites de jornalismo etc.) e conduza o aluno na comparação do que existia na grafia ou na acentuação de algumas palavras com o que passou a existir.
2. Mostre especificamente a que a reforma se restringiu, antes de o aluno partir para as atividades de descoberta e de fixação das mudanças. Deverão ser salientados os pontos em que a reforma atuou, ou seja, na acentuação das palavras paroxítonas, no acento diferencial, no uso do trema e na incorporação oficial das letras K, W e Y ao alfabeto da língua. Essa apresentação facilitará o aluno na observação do que já está em vigor. Entretanto, esse pré-direcionamento pode ou não ser realizado, dependendo do nível da turma.
Atividade
1. Estimule o aluno a lembrar palavras que já eram grafadas com as letras K, W e Y, independente de elas só agora fazerem oficialmente parte do alfabeto.
2. Peça que lembrem palavras que eram grafadas com trema, misturadas com outras que não eram. Coloque-as à vista da turma e, como num passe de mágica, retire o trema de todas as palavras: ele desapareceu da língua portuguesa.
Atenção: alerte que não houve alteração na pronúncia e cite as poucas palavras em que o trema permanece.
3. Use trechos ou frases da mídia escrita com palavras que o aluno perceba que estão grafadas diferentemente.
Obs.: o material pode ser trazido pelos alunos ou entregue já pré-selecionado pelo professor.
4. Comente em que tipo de palavras as alterações ocorreram. Conduza a observação para as palavras paroxítonas e para as que tinham o acento diferencial.
Atenção: Alerte para os dois únicos casos em que o acento diferencial permaneceu.
5. Demonstre que, com ou sem as alterações feitas pelo acordo, o contexto escrito não se altera e muito menos a própria língua.
6. Use um pequeno texto sem as alterações previstas pelo acordo e peça que se façam as devidas correções pós-acordo: o aluno "trabalha" como se fosse revisor de um jornal ou de uma editora.
Obs.: a atividade pode ser realizada individualmente ou em grupo.


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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)