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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O que eles já sabem?

Verificar o que os alunos conhecem sobre os conteúdos é importante para você planejar atividades e fazer com que todos avancem
NOÇÕES PRÉVIAS Os alunos têm idéias sobre quase tudo o que a escola aborda antes da intervenção pedagógica. Foto: Alexandre Battibugli
NOÇÕES PRÉVIAS  Os alunos têm idéias sobre quase tudo o que a escola  aborda antes da intervenção pedagógica.  Foto: Alexandre Battibugli
Quando quer ensinar um novo conteúdo para a turma, você:
A) Entra na classe e discorre sobre ele.
B) Apenas pergunta quem já ouviu falar a respeito do tema.
C) Na roda de conversa, quer saber o que cada um conhece sobre o asssunto.
D) Sugere uma atividade em que os alunos possam colocar em jogo informações e procedimentos que dominam?

Quanto à primeira atitude, há pouco a comentar: não existe aprendizado sem sentido ou sem relação com a realidade do estudante e espera-se que a prática de lançar conteúdos descontextualizados esteja cada vez menos presente na escola. O problema está em B e C. Muitos professores se dão por satisfeitos em apresentar uma questão, receber um sim ou um não como resposta - ou até ouvir algum comentário das crianças mais falantes - e iniciar a aula conforme o planejado.

Nada disso, porém, pode ser considerado uma abordagem diagnóstica. Fazer perguntas sobre o assunto e conversar na roda são práticas importantes, porém insuficientes para esse objetivo. A avaliação inicial, em qualquer série ou disciplina, deve colocar o aluno em contato direto com o conteúdo a ser ensinado, dando oportunidade de ele mobilizar e usar seus conhecimentos. Portanto, a resposta certa ao teste é a alternativa D.

José Antonio Castorina, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires, afirma que, antes mesmo da intervenção educativa, as crianças têm idéias prévias sobre quase todos os temas que a escola aborda. O educador precisa conhecê-las para não ensinar o que elas sabem e não fazer propostas além do que são capazes de compreender. É importante ter em mente que o seu papel é ajudar a construir idéias mais profundas e próximas dos objetivos escolares.

A melhor maneira de fazer uma avaliação inicial, portanto, é propor uma situação-problema, como fez a professora Marjorie Regina de Sousa, da EMEF Leandro Klein, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Para dar continuidade a questões do campo aditivo, em Matemática, ela elaborou um enunciado envolvendo a comparação de medidas e pediu que cada aluno procurasse a solução ao fazer registros no caderno. Ciente do nível de conhecimento da turma sobre os procedimentos para resolver esse tipo de questão, ela elaborou estratégias para continuar o processo de ensino e aprendizagem. Havia atividades tanto para os que não conseguiram propor um caminho para a resolução como para os que já ensaiavam a conta armada.
Propostas coerentes
Para Denise Tonello, coordenadora pedagógica do Colégio Miguel de Cervantes, em São Paulo, a atividade inicial deve ser sempre relacionada ao projeto que será desenvolvido - se o objetivo é ensinar campo aditivo, proponha um problema que envolva adição e/ou subtração (leia um exemplo no quadro ao lado). Caso seja hora de trabalhar a pontuação, peça que os estudantes produzam um texto, observe os sinais que eles utilizam - e com que critério - e quais ainda não aparecem. Para aprimorar o desenho dos garotos, sugira que cada um faça o seu e detecte se é preciso dar atividades para estimular a criatividade ou outro ponto que você perceba ser deficiente.

Ao analisar as produções da turma, você conhecerá o significado daquele conteúdo para a criança e como ela o representa e vai compreender a lógica infantil por trás das tarefas propostas. A heterogeneidade de conhecimentos presentes na classe ficará evidente, dando bases seguras para a elaboração de estratégias de ensino e o acompanhamento da evolução individual e coletiva.
Avaliação inicial - Campo aditivo

OBJETIVOS • Analisar e conhecer os procedimentos utilizados pelos alunos para resolver problemas que envolvam relações entre duas medidas (comparação).
• Adequar o desafio das propostas subseqüentes.
• Formar agrupamentos produtivos.
• Fazer as intervenções necessárias, considerando os conhecimentos e as dificuldades presentes na classe.

ANOS 2º e 3º.
TEMPO ESTIMADO Duas aulas.
DESENVOLVIMENTO

1ª ETAPA
Proponha um problema que envolva a relação entre duas medidas. Exemplo: "Carla tem 27 figurinhas e Rafaela tem 18. Quantas figurinhas Carla tem a mais do que Rafaela?" Dessa forma, os alunos entrarão em contato com uma situação mais complexa do que juntar ou agregar quantidades. Cada criança deve tentar chegar sozinha à resposta.

2ª ETAPAFaça uma tabela de duas entradas, relacionando os procedimentos com o número de alunos que utilizou cada um deles. Você encontrará estudantes que: não têm nenhuma estratégia para começar a resolver a questão; desenham os conjuntos e somam suas unidades; desenham os conjuntos separadamente e fazem a comparação; utilizam a sobrecontagem (contagem partindo do número menor até chegar ao maior); e usam a subtração convencional. Essas informações mostrarão o que eles sabem sobre esse tipo de problema e vão ajudá-lo a planejar atividades para que avancem na aprendizagem.

3ª ETAPADiscuta com eles os procedimentos válidos. Deixe claro que, apesar de alguns terem somado as quantidades de figurinhas corretamente, essa resposta não corresponde à proposta. Para os que não adotaram nenhuma estratégia, elabore problemas semelhantes envolvendo números menores e faça com que eles trabalhem em dupla com colegas que utilizam desenhos. Esses também podem se juntar aos que utilizam a sobrecontagem. Os que realizam cálculos convencionais devem ajudar esses últimos e também serem desafiados com questões que envolvam números maiores (para dificultar a contagem) e redondos (para utilizar recursos de cálculo já conhecidos).

AVALIAÇÃOProponha outros problemas do mesmo tipo e monte um diagnóstico parecido com o primeiro. Observe se as crianças que não se valiam de nenhum procedimento começaram a usar uma das estratégias. Se a dúvida ainda persistir para algum aluno, sente-se ao lado dele e tente identificar onde está a dificuldade. Alguns podem precisar reconstituir a questão. Para esses, ofereça material que ajude na representação, como as próprias figurinhas e outros objetos que possam ser manipulados.

CONSULTORIA Priscila Monteiro, coordenadora do Projeto Matemática É D+, da Fundação Victor Civita

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)