Seguidores: é só clicar em seguir! Não precisa ter blog, só qualquer end. do Google.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Práticas pedagógicas para inclusão




Eugênio Cunha

Share on facebookShare on twitterShare on orkutShare on emaiShare on prinMore Sharing Services

É a partir do aluno que modelamos os quefazeres da sala de aula. Diante disso, não devemos ver o currículo tão somente como um instrumento do formalismo, nem tampouco como resultado de ações improvisadas. O currículo precisa ir do formalismo ao lúdico e do lúdico ao formalismo; da disciplina à criatividade e da criatividade à disciplina. Seu mote é a autonomia discente, dentro de um processo educativo de prazer pedagógico, criatividade e valorização dos atores da escola.
Constrói-se o currículo com a participação de gestores, supervisores, coordenadores, orientadores, psicopedagogos, professores e, evidentemente, da família. Para tanto, será preciso identificar o saber que o aluno já possui; estimular e privilegiar a comunicação e estabelecer atividades inclusivas para serem realizadas também por toda a turma.
O que o aluno com alguma necessidade especial precisa primordialmente? O que é mais importante ensinar? São questões que necessitam ser respondidas para o início da organização curricular, não com base em nossos conhecimentos, mas a partir das carências do educando, em seus aspectos afetivos, sociais e pedagógicos. Veremos, com as respostas, que as atividades passarão a ter objetivos diretos e indiretos. Assim, exercícios que privilegiam a coordenação motora, como os recortes com tesoura ou a pintura, com a supervisão do professor, poderão desenvolver a linguagem, a sociabilidade e, evidentemente, a concentração.
Então, o primeiro passo está na avaliação para saber quais habilidades necessitam ser conquistadas; quais aptidões básicas, motoras e acadêmicas necessitam ser desenvolvidas. A realidade pedagógica do educando fará com que cada etapa superada demande uma nova. Prioriza-se uma série de afazeres ligados ao seu cotidiano, concernentes à sua independência, que podem ir da higiene pessoal à linguagem escrita, da alimentação à matemática. O que é mais importante aprender naquele momento deverá ser favorecido. Primeiro, trabalha-se algumas tarefas de maior facilidade de execução até o pleno domínio. Posteriormente, acrescenta-se uma nova.
Haverá conquistas e erros, muitas vezes mais erros do que conquistas, mas o trabalho jamais será em vão. O afeto é um proeminente valor para a dinâmica e superação das dificuldades.

Orientações ao professor
Autismo: concentrar-se no contato visual e sempre mostrar a cada palavra uma ação e a cada ação uma palavra.
Síndrome de Down: trabalhar com materiais pedagógicos concretos, com livros e fotos de familiares.
Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): estabelecer e organizar rotinas de trabalho e privilegiar trabalhos curtos, realizando uma tarefa por vez.
Transtornos emocionais: propor atividades que estabeleçam vínculos afetivos com o aluno e possibilitar um ambiente educativo agradável.
Dislexia: evitar o excesso de conteúdo, utilizar linguagem objetiva e tarefas pequenas.
Dispraxia: trabalhar a coordenação motora, a orientação espacial e o equilíbrio.
Discalculia: ensinar matemática utilizando o concreto, o lúdico e o cotidiano. Estimular a memorização e a discriminação visual.
Disgrafia e disortografia: utilizar materiais sensoriais, livros e fazer uso de contação de histórias.

Texto publicado na edição de maio da revista Profissão Mestre. Deixe seu comentário na seção Voz do Leitor.
More Sharing Services

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Loading...

professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)