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sábado, 9 de março de 2013

O que é uma resenha?



Tipo de resumo crítico, contudo mais abrangente: permite comentários e opiniões, inclui julgamentos de valor, comparações com outras obras da mesma área e avaliação da relevância da obra com relação às outras obras do mesmo gênero.
Andrade (1995, p.61)

Ou seja, o principal na sua resenha, não é falar apenas sobre a história do livro, mas sim dizer o que você achou dele, comentar sobre o que julgar necessário e importante e compará-lo com outros livros que sejam parecidos, que sejam do mesmo gênero.
Pode parecer complicado, mas é bem mais fácil falar o que você pensa sobre um livro do que resumi-lo, contando tim tim por tim tim da história. Lembre-se que na Internet tudo tem de ser feito de forma rápida para não perder a atenção do leitor, então se você já coloca a sinopse do livro no post (aquela que normalmente encontramos na contracapa), tente não falar muito sobre a história. Acrescente o que achar importante, sem mostrar demais (sem dar spoilers) e já siga contando o que sentiu enquanto lia e o que achou. Diga para quem você o indica e tente terminar de uma maneira que não deixe aquelas “pontas soltas”.
Pra quem ainda não sabe por onde começar, aqui está uma “receitinha de bolo” que minha professora de Laboratório de Produção Textual II passou para a turma no último período:

1. Informar ao leitor quem é o autor da obra;
2. Apresentar brevemente o conceito do objeto do livro;
3. contar uma passagem da vida do autor;
4. Discorrer sobre a expectativa da publicação;
5. Relacionar ideias atuais com antigas já publicadas.

Lembrando que você não é obrigado a seguir a risca. Estamos na internet, falando sobre blogs literários. Estamos indicando livros, não queremos entediar o leitor. Queremos fazer outras pessoas ficarem interessados no livro, mesmo que não gostemos tanto dele assim. Lembre que cada um gosta de uma coisa diferente, o gosto do seu leitor pode não ser necessariamente igual ao seu e vice-versa.
Jamais conte o final do livro, jamais conte apenas sobre o que acontece no livro. Jamais pense que falar o que acontece significa resenhar alguma coisa. Se você acha que não consegue fazer uma resenha, compare as primeiras que escrevi pro blog com as que escrevo hoje. Podem ter certeza que é visível a melhora… Então tudo depende de apenas uma coisa: prática. Quanto mais você lê com atenção, melhor você escreve e quanto melhor você escreve, melhor você resenha.
Espero que as dicas ajudem. Qualquer dúvida ou sugestão, comentem aqui que eu respondo, com todo prazer. Se gostarem deste, faço mais posts com dicas deste tipo num futuro próximo. Basta vocês pedirem!

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)