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segunda-feira, 5 de abril de 2010

jogo estruturado, para a fixação de conteúdos

Muitos professores costumam achar desafiante a fixação dos conteúdos, de forma prazerosa. Que tal uma vivência, bem lúdica, de um conceito, para a rápida assimilação dos alunos, sem grandes teorizações. Vamos a um exemplo bem prático?
Nesta sugestão, utilizarei uma brincadeira que deve ser conhecida por alguns de vocês. Muitos a conhecem como “Senha” ou “Alfândega”. A descrição, aqui, tem caráter pedagógico. É uma adaptação de um jogo de salão para a sala de aula.

Jogo: Alfândega das Palavras.

Criação: Ney Mourão.

Objetivo: Promover a fixação, de forma lúdica, de conceitos em Língua Portuguesa, necessários à produção textual, tais como gênero, infinitivo verbal, substantivos concretos e abstratos, dentre outros.

Materiais: Não há necessidade de nenhum tipo de material. Caso o educador deseje, poderá imprimir pequenas fichas, com os conceitos a serem trabalhados com os participantes ou com a “senha” explicativa de cada rodada da brincadeira.

Procedimento:

1.O educador deve, inicialmente, pedir voluntário(s) ou escolher um aluno ou uma dupla de alunos para “dar um passeio” fora da sala. Ele(s) não pode(m) ouvir o que será combinado dentro da sala.
2.Enquanto os alunos estão lá fora, professor e demais alunos combinam a estratégia do jogo:
- Trata-se de uma viagem, que todos irão fazer, juntos. Caso o educador tenha talento, pode enfeitar a viagem, criar situações, inventar papéis, escolher quem serão passageiros, comissários de bordo e até mesmo mudar a posição do mobiliário da sala, simulando uma alfândega ou o interior de um avião.

- Para viajar, no entanto, todos têm que apresentar, oralmente, um objeto que desejarão levar. Nesse momento, o professor explica a “senha” para que os objetos possam passar na “alfândega” hipotética. Por exemplo, todo objeto do gênero feminino poderá entrar no avião: bolsa, sandália, mala, caneta, passagem... Mas nenhum objeto do gênero masculino poderá ser levado: ficariam de fora, portanto, lápis, passaporte, um amigo, pai, primo, livros, chinelo...

- A missão do(s) aluno(s) que será(ão) convidado(s), após a combinação, a entrar, é descobrir a “senha”: por que alguns abjetos podem ser levados e outros não?

- A brincadeira é bastante divertida, pois educador e alunos que permaneceram na sala adquirem uma cumplicidade, assegurada pelo conhecimento da senha, enquanto o(s) outro(s) vivem o desafio da descoberta.

- Inúmeras variações de senhas podem ser combinadas. Por exemplo: podem embarcar todos os objetos terminados em vogais e ficam retidos todos os que terminam em consoantes. Podem embarcar todos os objetos masculinos levados por mulheres e todos os femininos levados por homens, mas nunca o contrário. Enfim, a gama de opções irá depender da imaginação do professor, e os próprios alunos podem, inclusive, ajudar a criar, juntos, uma senha que utilize elementos da Língua Portuguesa. Mas é importante que o professor informe aos alunos que o objetivo do jogo tem relação com conteúdos da escrita e, após cada rodada, faça uma explicação breve sobre o conteúdo que foi trabalhado.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)