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segunda-feira, 19 de abril de 2010

plano de aula com poema

Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

ANDRADE, C.D. de. Poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959. p. 165

1º Pré-leitura: solicitar que os alunos descrevam brevemente a cidade de Igrejinha, levando em consideração a paisagem, pessoas, etc. Depois, pedir para que cada um leia a sua breve descrição, comparando-as, a fim de que percebam que cada um descreveu o que mais lhe chama atenção.

2º Leitura: entregar-lhes o texto ou pedir que copiem no quadro

3º Pós-leitura: pedir que respondam as seguintes questões:
a) Pela descrição da cidade, a mesma seria descrita nesta época? Justifique com elementos do texto:
b) Quais os elementos da cidade descritos pelo autor?
c) O autor demonstra satisfação pela sua cidade? Justifique com elementos do texto:
d) Há intenção do autor em repetir a palavra “devagar” em quatro versos do poema?

Estudo da língua:
a) A palavra cidadezinha, no diminutivo, nos indica qual forte característica sobre a cidade descrita pelo autor?
b) Qual adjetivo utilizado no último verso para caracterizar a cidade?
c) Se fôssemos transformar os dois primeiros versos em oração, quais verbos (s) de estado poderiam acrescentar?

Produção: recorra à descrição da sua cidade e faça um poema sobre a mesma.

Um comentário:

  1. Desculpe a invasão, mas eu tenho uma ótima notícia!

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    Bjs e boa sorte!

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)