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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Interpretação de texto e exercícios gramaticais

As questões 1 a 6 referem-se ao texto abaixo. Quando das perguntas, volte ao texto sempre que necessário.
Encontro
Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face ruga a ruga.
Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.
Ó meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncio, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas
por um rio que corre o tempo inteiro
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.
(Carlos Drummond de Andrade. Reunião. 10 livros de poesia.Rio: José Olympio, 1971. p. 193)
1. A sugestão expressa no primeiro verso do poema indica que o poeta e seu pai estão:
a) separados no tempo e no espaço
b) separados apenas no tempo
c) separados apenas no espaço
d) perdidos sem conseguirem encontrar-se
e) próximos de um encontro definitivo
2. Os termos "vida" e "morte", no texto, estão expressos nas palavras:
a) fuga e noite
b) madruga e triste
c) olhar e ruga
d) suor e calma
e) tempo e sonho
3. Segundo o texto, uma das possibilidades que se pode determinar na noite, é que ela:
a) facilita a vontade de fugir
b) permite o uso da razão
c) consegue ampliar a visão da realidade
d) oferece a chance de o indivíduo compreender-se
e) propicia o exercício da imaginação
4. Pode-se perceber que o texto trata do poder transfigurador da poesia. O verso que expressa isso é:
a) "Está morto, que importa? Inda madruga"
b) "e seu rosto, nem triste nem risonho"
c) "Ó meu pai arquiteto e fazendeiro"
d) "e corre além do tempo, enquanto as nossas"
e) "murcham num sopro fontes represadas"
5. De acordo com o texto, a figura do pai está marcada pela condição de:
a) cansaço
b) alegria
c) placidez
d) tristeza
e) velhice
6. Em todas as partes do texto, indicadas abaixo, há elementos suficientes para indicar as atividades que o pai exercia, exceto:
a) "Está morto que importa? Inda madruga"
b) "e seu rosto, nem triste nem risonho"
c) "E não enxuga / suor algum, na calma de meu sonho"
d) "Ó meu pai arquiteto e fazendeiro!"
e) "Faz casas de silêncio, e suas roças / de cinza estão maduras"
7. Complete os espaços, usando a, as, à ou às:
a) Graças ______ Deus, gozamos de boa saúde.
b) Quando você voltará ______ América ou ______ Itália?
c) Os alunos oferecem flores ______ professoras.
d) Estamos ______ disposição de todos.
e) Fumar é prejudicial ______ saúde.
f) Eu me dirigi ______ casa paterna,depois ______ ruas.
g) É melhor voltar ______ seis horas da tarde.
h)Fiéis ______ aspirações, ficamos sempre ______sós.
i) Eles beberam todo o vinho gota ______gota.
j) Compra ______ dúzias tudo o que vê.
8. Coloque C (certo) ou E (errado) para o uso da crase, corrigindo as afirmações que não estão corretas.
a) ( ) O juiz deu a sentença à ré às pressas.
b) ( ) Concedeu entrevista à imprensa, que chegara às escondidas à sessão.
c) ( ) Fomos à Inglaterra e à Suécia,depois voltamos à Salvador.
d) ( ) Acompanho dia a dia sua ida à casa.
e) ( ) Fiz referências a Vossa Excelência e não à senhorita que a acompanha.
f) ( ) Sejamos obedientes às leis, não devemos desobedecer à elas.
g) ( ) As passageiras do avião desceram a terra na hora marcada
h) ( ) Eu já conhecia a fazenda, por isso fui à pé.
i) ( ) Vestiu calças à Pierre Cardim.
j) ( ) Ficamos à esperar o seu retorno.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)