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sábado, 11 de fevereiro de 2012

O que constitui um bom ensino?

Alunos e professores reconhecem um bom ensino quando o experimentam, mas muitas vezes têm dificuldade de colocá-lo em prática.
São muitas as pesquisas sobre as diferentes abordagens de ensino.
Feldman, 1988 após inúmeros estudos e pesquisas listou as características fundamentais para um bom ensino. Nestas pesquisas estudantes e membros do corpo docente de várias instituições foram solicitados a descrever as atitudes ou práticas que consideram importantes para um bom ensino. Foi ainda solicitado aos entrevistados que caracterizassem o professor "melhor" ou "ideal ".
As sete categorias abaixo foram as mais citadas:

Sensibilidade e preocupação com nível e progresso do grupo:

O bom professor se comunica de forma eficaz e compreensível aos estudantes;
O livro didático contem graus de dificuldades adequados para os alunos;
O bom professor demonstra preocupação com o fato dos alunos aprenderem e utilizarem corretamente seus materiais;
O bom professor determina se o problema de um aluno é comum a outros;
O bom professor percebe quando os alunos estão entediados ou confusos.
Organização e preparação das aulas:

O bom professor está bem preparado para aula;
O bom professor organiza os conteúdos de maneira lógica;
A organização do curso auxilia os estudantes no desenvolvimento de conceitos básicos;
Novas informações são apresentadas de forma lógica e estão relacionadas às idéias já introduzidas;
Os alunos percebem o professor bem organizado;
As palestras dos bons professores são fáceis e compreensíveis.
Conhecimento do assunto:

O bom professor demonstra conhecimento abrangente sobre os temas que leciona;
O bom professor pesquisa e lê bastante sobre os temas de sua área;
O bom professor está sempre atualizado.
Entusiasmo (por assunto ou pelo ensino):

O bom professor demonstra interesse em ensinar;
O bom professor tem capacidade de transmitir interesse e entusiasmo pela matéria que ensina;
O bom professor é dinâmico e exigente.
Clareza e compreensão:

O bom professor explica de forma clara e tenta responder a todas as questões;
Os alunos seguem e compreendem as aulas dos bons professores;
O bom professor relaciona os conceitos de forma sistemática e auxilia os alunos para que compreendam;
O bom professor escolhe bons exemplos e esclarece dúvidas;
O bom professor resume os principais pontos;
O bom professor interpreta idéias abstratas e teorias de forma clara.
Disponibilidade:

O bom professor incentiva os alunos ao vê-los em dificuldade;
O bom professor está prontamente disponível para os alunos fora do horário da aula caso alguém o consulte;
O bom professor tem uma relação amigável e afetiva com os alunos;
Sessões de reforço são fornecidas para os alunos que dela necessitam;
O bom professor é consciente em manter os compromissos com os alunos;
O bom professor está disposto a dar assistência individual.
Avaliação imparcial dos alunos e qualidade nas avaliações:

Conceitos enfatizados em sala de aula são aqueles enfatizados também nas avaliações;
Bons professores exigem dos alunos interpretações e opiniões críticas acerca de temas reais;
As avaliações permitem que os alunos demonstrem adequadamente o que aprenderam;
Avaliações sintetizam os principais assuntos lecionados;
O bom professor diz aos alunos como eles serão avaliados no decorrer do curso;
As notas são baseadas em um justo equilíbrio de requisitos e conteúdos;
Os alunos ficam satisfeitos com a forma de avaliação;
Os alunos são freqüentemente questionados;
O bom professor anuncia a avaliação com antecedência;
O bom professor utiliza mais de um tipo de dispositivo de avaliação.
Estas frases são úteis para que o professor avalie sua práxis, resolvendo em tempo se pode melhorar.
Pedir aos alunos um feedback no final do ano ou do semestre é bastante útil para reflexão e aprimoramento constante.

Tradução e adaptação do texto de: Feldman, K.A. (1988) "Effective College Teaching from the Students' and Facultys' View: matched or mismatched priorities?" Research in Higher Education . 28 (4). 291-344.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)