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domingo, 19 de agosto de 2012

2. Nova ortografia - verbos


Verbos:   Merecem destaque os verbos terminados em iar, que normalmente se distinguem dos terminados por ear no presente do indicativo e podem gerar dúvidas:

mediar – medeio,
ansiar – anseio,
incendiar – incendeio,
odiar – odeio.

E negociar? E premiar?
Segundo o novo Acordo Ortográfico, alguns verbos terminados em iar admitem dupla grafia:
premiar – premio ou premeio                                          negociar – negocio ou negoceio.

Algumas formas verbais podem ou não ser acentuadas:
cantámos ou cantamos (pretérito perfeito do indicativo).
amámos ou amamos (pretérito perfeito do indicativo).
Ex.: Ontem cantamos/cantámos a noite toda.
No entanto, as mesmas formas verbais não são acentuadas no presente do indicativo: cantamos/amamos. 
Ex.: Cantamos o Hino Nacional na escola todos os dias.
As formas verbais terminadas em oo não são acentuadas, ou seja, não acentuaremos osencontros vocálicos1 oo dos verbos na primeira pessoa do presente do indicativo:

Abençôo (abençoar)
abençoo
perdôo (perdoar)
perdoo
corôo (coroar)
coroo
enjôo (enjoar)
enjoo
rôo (roer)
roo
vôo (voar)
voo


Os verbos crer, ler e ver (e seus derivados, como descrer, reler, antever), na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, e dar, na terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo, não recebem mais acento circunflexo.

crêem
creem
dêem
deem
lêem
leem
vêem
veem


Fique ligado! As formas verbais têm e vêm (terceira pessoa do plural do presente do indicativo) de TER e VIR, respectivamente, continuam acentuadas, enquanto as de terceira pessoa do singular do presente do indicativo continuam sem acento.
Eles têm muito trabalho.
Ele tem muito trabalho.
Eles vêm todos juntos para a festa.
Ele vem sozinho para a festa.
Verbos como aguar, apaziguar, averiguar, desaguar, enxaguar, delinquir   admitem duas pronúncias, o que determina duas grafias.
Não são acentuados se forem pronunciados com u tônico. Essa pronúncia não é comum no Brasil. Ex.: aguo (lê-se agúo*, mas se escreve sem acento, assim  como  apaziguo*, averiguo*,  enxaguo*).
Esses mesmos verbos são acentuados quando pronunciados com a/i tônicos. Pronúncia comum no Brasil: águe, enxágue.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)