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domingo, 19 de agosto de 2012

5. Nova ortografia - encontros vocálicos


Encontros vocálicos
O i e u juntos a uma outra vogal, na mesma sílaba, recebem o nome de semivogais.
Na Língua Portuguesa as sequências de vogais ou de vogais e semivogais em uma palavra são chamadas de encontros vocálicos.
Os encontros vocálicos podem ser:
1. Ditongos: encontros de vogais + semivogais.   lOUca (lou-ca => O = vogal e U = semivogal)
2. Hiatos: encontros de duas vogais em sílabas diferentes.   sde (sa-ú-de)
3. Tritongos: encontros de semivogal, vogal e semivogal.     UrugUAI (U-ru-guai)

Vogal e sílaba tônica
Na Língua Portuguesa, é muito marcante a intensidade com que pronunciamos as vogais. Toda palavra tem uma única vogal tônica (pronunciada com mais força). As vogais pronunciadas com menos intensidade são chamadas átonas.
Veja: mEsa (e tônico/a átono), colhEr (o átono/e tônico)
A sílaba em que está a vogal tônica é chamada sílaba tônica. Podemos classificar as palavras quanto à posição da sílaba tônica em:
1. Oxítonas: a sílaba tônica é a última.   - mulher / casal
2. Paroxítonas: a sílaba tônica é a penúltima.  - parede / beijo
3. Proparoxítonas: a sílaba tônica é a antepenúltima.           - dico / lâmpada

Fique ligado!       Não muda com o novo Acordo Ortográfico:
Todas as proparoxítonas da Língua Portuguesa são acentuadas.
A maioria das palavras da Língua Portuguesa é paroxítona. E os falantes sabem disso intuitivamente! Faça o teste lendo, em voz alta, as palavras abaixo:
desdotiralice,                  comulitamica
Embora as palavras tenham sido inventadas, com certeza você leu:
desdotiraLIce,                                        comulitaMIca

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)