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domingo, 19 de agosto de 2012

Gramática com textos: 8º ano - a vírgula


Introdução 
Esta é a décima segunda de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Objetivo -Identificar diferentes usos da vírgula. 
Conteúdo -Sinal de pontuação: vírgula 
Tempo estimado -Cinco aulas 

Desenvolvimento 

1ª etapa - Clarice Lispector e uma reflexão sobre a vírgula 
Inicie a aula com o trecho de abertura da obra Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres de Clarice Lispector. Entregue aos alunos o primeiro parágrafo e leia-o em voz alta para a classe.

Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres  - Clarice Lispector 
, estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais matava serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos, dera vários telefonemas tomando providências, inclusive um dificílimo para chamar o bombeiro de encanamentos de água, fora à cozinha para arrumar as compras e dispor na fruteira as maças que eram a sua melhor comida, embora não soubesse enfeitar uma fruteira, mas Ulisses acenara-lhe com a possibilidade futura de por exemplo embelezar uma fruteira, viu o que a empregada deixara para jantar antes de ir embora, pois o almoço estivera péssimo, enquanto notara que o terraço pequeno que era privilégio de seu apartamento por ser térreo precisava ser lavado, recebera um telefonema convidando-a para um coquetel de caridade em benefício de alguma coisa que ela não entendeu totalmente mas que se referia ao seu curso primário, graças a Deus que estava em férias, fora ao guarda-roupa escolher que vestido usaria para se tornar extremamente atraente para o encontro com Ulisses que já lhe dissera que ela não tinha bom-gosto para se vestir, lembrou-se de que sendo sábado ele teria mais tempo porque não dava nesse dia as aulas de férias na Universidade, pensou no que ele estava se transformando para ela, no que ele parecia querer que ela soubesse, supôs que ele queria ensinar-lhe a viver sem dor apenas, ele dissera uma vez que queria que ela, ao lhe perguntarem seu nome, não respondesse "Lóri" mas que pudesse responder "meu nome é eu", pois teu nome, dissera ele, é um eu, perguntou-se se o vestido branco e preto serviria, então do ventre mesmo, como um estremecer longínquo de terra que mal se soubesse ser sinal de terremoto, do útero, do coração contraído veio o tremor gigantesco duma forte dor abalada, do corpo todo o abalo - e em sutis caretas de rosto e de corpo afinal com a dificuldade de um petróleo rasgando a terra veio afinal o grande choro seco, choro mudo sem som algum até para ela mesma, aquele que ela não havia adivinhado, aquele que não quisera jamais e não previra sacudida como a árvore forte que é mais profundamente abalada que a árvore frágil afinal rebentados canos e veias, então sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranquilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver. Lembrou-se de escrever a Ulisses contando o que se passara, mas nada se passara dizível em palavras escritas ou faladas, era bom aquele sistema que Ulisses inventara: o que não soubesse ou não pudesse dizer, escreveria e lhe daria o papel mudamente mas dessa vez não havia sequer o que contar. 

Disponível em: LISPECTOR, C. Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres.http://www.scribd.com/doc/3102385/Clarice-Lispector-Uma-Aprendizagem-ou-O-Livro-dos-Prazeres-86-pags. Acesso em: 24 de out. 2010.

Peça que os estudantes se coloquem em duplas e releiam o texto, procurando explicar o uso da vírgula. Dê um tempo para que criem suas hipóteses. 
Ouça as respostas da turma e comente-as. É provável que alguém diga que o excesso de vírgulas e a falta de outros sinais de pontuação é resultado de um erro ou do desconhecimento da autora a respeito das formas corretas de escrita. Explique à classe que essa ideia está equivocada. Comente que os bons livros - como os de Clarice Lispector - são como obras de arte. Eles se caracterizam pela quebra de paradigmas e conseguem fazer com que um aparente equívoco ganhe novos significados. 
Questione os alunos sobre as intenções da autora ao escrever um parágrafo tão grande, todo separado por vírgulas. Pergunte que sensação o texto passa. Para ajudar na resposta, peça que comecem analisando o uso da vírgula no início da primeira frase. Veja se alguém tem um palpite sobre o que a autora queria dizer ao começar o texto com vírgula. Dê um tempo para que reflitam. 
Explique, então, que a intenção de Clarice era mostrar ao leitor que a história não começou ali. Os fatos estão ligados a uma série de acontecimentos anteriores. A abertura do texto, na verdade, é um pseudoinício: a pontuação insinua que a história se inicia em um momento anterior à primeira página. 
Comente com a classe que essa ideia de uma sucessão de ações que se entrelaçam fica clara por meio da sequência de vírgulas. Elas são usadas para segmentar frases, dividir orações e sequenciar e organizar informações. 

2ª etapa - a vírgula e a pontuação sequencial 
Proponha que a moçada discuta três diferentes usos da vírgula por meio da análise de manchetes de jornal. Coloque a primeira delas no quadro:

O mundo perde, ao ano, uma Itália em áreas cultivadas 
Disponível em: www.ig.com  Acesso em 25 out. 2010

Sublinhe o verbo perde e pergunte aos alunos com que palavras ele se relaciona. A turma deve perceber que ele está diretamente ligado a mundo, sujeito da frase, e a uma Itália, complemento do verbo. Explique que esses três elementos juntos criam uma unidade sintática. 

Peça que os alunos coloquem a frase na ordem direta - sujeito, verbo e complemento, seguidos pelas circunstâncias temporais, espaciais ou de outra natureza. Eles devem chegar à seguinte manchete:
Mundo perde uma Itália ao ano em áreas cultivadas

Mostre à classe que, nesse caso, não é necessário usar vírgulas. Explique que não se separa com vírgula sujeito e verbo nem verbo ou nome e complemento. 
Diga aos alunos que essa regra só é quebrada quando ocorre uma intercalação - ou seja, quando se introduz um elemento no meio da frase. Foi o que aconteceu na versão original da manchete. O termo ao ano foi colocado entre o verbo perde e o complemento uma Itália. Nesse caso, é preciso sinalizar o novo elemento colocando-o entre vírgulas. 
Para facilitar o entendimento, use a imagem dos parênteses. "O mundo perde (ao ano) uma Itália em áreas verdes". Explique que a intercalação está associada à ideia de subtração: os elementos que estão entre as vírgulas podem ser retirados sem que se perca o sentido da frase. 

Coloque a segunda manchete no quadro.
Para conter surto de cólera no Haiti, Brasil envia medicamentos na 4ª 
Disponível em: Disponível em: www.terra.com.br Acesso em 25 de out. 2010

Pergunte aos alunos quais os elementos sintaticamente relacionados ao verbo envia. Eles devem citar as palavras Brasil e medicamentos. Pergunte por que não há vírgulas no trecho Brasil envia medicamentos na 4ª. A turma deve relembrar a explicação anterior e perceber que o trecho mantém a ordem direta, sem ser necessário o uso do sinal de pontuação. 
Chame a atenção, então, para a primeira parte da manchete - Para conter surto de cólera no Haiti. Mostre aos estudantes que ela também indica uma circunstância, mas seu lugar na frase está invertido. Pensando na ordem direta, as circunstâncias de modo, tempo e espaço deveriam estar no final do período. Conclua com a classe que se trata de outra situação em que é preciso usar vírgulas: a inversão. 

Passe à análise da terceira manchete.
Histórias de Ferreira Gullar 
O poeta maranhense fala sobre inspiração, escrita e pintura em entrevista 
Disponível em: http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/historias-ferreira-gullar-602624.shtml Acesso em: 25 out. 2010. Com corte.

Seguindo a lógica anterior, pergunte aos alunos se a ordem direta foi respeitada. Eles vão perceber que sim (Sujeito - o poeta maranhense - , verbo - fala - e complemento - sobre inspiração, escrita e pintura em entrevista). Questione-os, então, sobre o uso da vírgula. 
Dê um tempo e explique aos alunos que ela aparece para indicar a coordenação de termos. Se, na primeira manchete, falou-se em intercalação e subtração; na segunda, em inversão; na terceira manchete pode-se falar em adição - a vírgula aparece para somar elementos. 

Como atividade, proponha que os alunos reescrevam as manchetes, substituindo a expressão que caracteriza o uso da vírgula por outra. Dessa forma, a primeira manchete poderia ser reescrita assim: Mundo perde, inexplicavelmente, uma Itália em vastas áreas cultivadas. A segunda ficaria:Com o intuito de agradar Haiti, Brasil envia medicamentos na 4ª. E a terceira seria algo como: O poeta maranhense fala sobre medo, escrita e produção de poesias. 

Se preferir, sugira que os estudantes criem suas próprias manchetes aproveitando as três situações de uso da vírgula. 

3ª etapa - observação do uso da vírgula 
Proponha que os alunos retomem as duplas e investiguem o uso da vírgula nos trechos de notícias abaixo. Peça que enumerem as diferentes aparições do sinal de pontuação e, depois, que elaborem uma legenda para explicá-las.

Quadrinhos levados a sério
Com livros em HQ distribuídos pelo governo federal, gênero entra de vez na pauta dos professores 
Quando Cristina de Macedo, 47, estava na escola, HQ (história em quadrinho) era assunto quase proibido. 
Hoje, a professora de língua portuguesa do colégio Santa Maria (zona sul de São Paulo) usa nas suas aulas uma adaptação em HQ do livro A Metamorfose, de Franz Kafka, para ensinar a seus alunos de 12 e 13 anos o gênero literário dos quadrinhos e, de quebra, apresentar a obra.

GOMES, P. Quadrinhos levados a sério. Folha de S. Paulo. 25 de out. de 2010.

Invenções acessíveis
Feira Internacional de Ciências apresenta 300 projetos e jovens inventores do mundo todo 
A cidade de Novo Hamburgo (RS) se transformou, na semana passada, em uma espécie de Babel de sotaques. 
Durante a Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia, estudantes de todo o país falaram um português variado com contribuições de diversas regiões. Já o inglês aparecia com toques que iam do cazaque ao eslovaco. 

BERCITO, D. Invenções acessíveis. Folha de S. Paulo. 25 de out. de 2010.

Mais Forte
Na estreia do técnico Tite, Corinthians supera o Palmeiras, encerra série de sete jogos sem triunfos e fica a apenas um ponto da liderança do Brasileiro 
Acabou a agonia corinthiana. Trinta e dois dias, sete rodadas, um técnico demitido e uma crise depois, o Corinthians voltou a vencer.
Quando a turma terminar, peça que apresentem suas respostas. Com base nelas, escreva no quadro as três regras de uso da vírgula estudadas: 

1. Inserção de elementos no interior do período que poderiam ser subtraídos: inserção marcada pelo uso de duplas vírgulas; 

2. Inversão da ordem canônica: colocação de palavras, expressões ou períodos indicando circunstâncias espaciais, temporais de modo etc no início da oração; 

3. Sequenciação de termos ou orações coordenadas sem o uso de conectivo: colocação de vírgula entre termos sequenciais, exceto o último termo, que aparece precedido do conectivo e dispensa a vírgula. 

4ª etapa - análise coletiva do uso da vírgula 
Essa etapa é dedicada à análise coletiva do uso da vírgula em um texto de Francisco Achcar sobre a obra do poeta Carlos Drummond de Andrade. Para começar, peça que os alunos leiam o texto.

Carlos de Drummond de Andrade
De 1930, ano de sua estreia em volume, até 1962, quando completou 60 anos, Carlos Drummond de Andrade (1902-87) publicou dez livros de poesia que contêm um dos conjuntos de textos mais prestigiados e importantes de toda a nossa tradição literária. Esses poemas fizeram que a opinião predominante no Brasil consagrasse seu autor como o maior poeta do país e um dos grandes do mundo em sua época. Mesmo os que preferem atribuir a primazia brasileira a João Cabral de Melo Neto consideram que caberia a Drummond, não fosse o isolamento imposto pela língua portuguesa, uma posição de destaque no panorama internacional. 
Sua obra, elaborada ao longo de mais de seis décadas, compreende poesia e prosa. Apesar das qualidades e da quantidade da prosa (17 livros de crônicas e contos fora o que ficou nos jornais), o núcleo de sua produção é a poesia - mais de 20 livros cuja porção capital é o conjunto de poemas acima referido, ou seja, os melhores poemas das dez primeiras coletâneas. 

ACHCAR, F. Carlos de Drummond de Andrade. São Paulo: Publifolha, 2000.

Pergunte à moçada as eventuais dúvidas a respeito do conteúdo e esclareça-as. Em seguida, peça que os alunos observem o uso dos parênteses no texto. Mostre que esses sinais de pontuação funcionam com uma intercalação de ideias - trazem informações que podem ser suprimidas. 
Relembre a classe de que as vírgulas podem ser usadas de modo similar aos parênteses. Volte ao texto e peça que os alunos identifiquem os trechos do primeiro parágrafo que indicam intercalações.
" De 1930, ano de sua estreia em volume, até 1962, quando completou 60 anos, Carlos Drummond de Andrade (1902-87) publicou dez livros de poesia que contêm um dos conjuntos de textos mais prestigiados e importantes de toda a nossa tradição literária".
Mostre aos alunos que esses trechos, assim como os parênteses, poderiam ser suprimidos. Ressalte que a vírgula, nesse caso, deve marcar o início e o fim da intercalação. 

Avaliação 
Apresente aos alunos o trecho abaixo da obra A Aventura do Livro: do Leitor ao Navegador de Roger Chartier.

A Aventura do Livro 

A leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados. Segundo a bela imagem de Michel de Certeau, o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Apreendido pela leitura, o texto não tem de modo algum - ao menos totalmente - o sentido que lhe atribui seu autor, seu editor ou seus comentadores. Toda história da leitura supõe, em seu princípio, esta liberdade do leitor que desloca e subverte aquilo que o livro lhe pretende impor. Mas essa liberdade leitora não é jamais absoluta. Ela é cercada por limitações derivadas das capacidades, convenções e hábitos que caracterizam, em suas diferenças, as práticas da leitura. Os gestos mudam segundo os tempos e os lugares, os 5antigo ao códex medieval, do livro impresso ao texto eletrônico, várias rupturas maiores dividem a longa história das maneiras de ler. Elas colocam em jogo a relação entre o corpo e o livro, os possíveis usos da escrita e as categorias intelectuais que asseguram sua compreensão. 

CHARTIER, R. A Aventura do Livro: do Leitor ao Navegador. São Paulo: Edra UNESP/Imprensa Oficial, 1999.

Leia e discuta o texto com a classe. Em seguida, proponha duas atividades: 

1. Identificar no texto um exemplo de cada modalidade do uso da vírgula discutida em sala de aula. 

2. Elaborar um pequeno comentário sobre o texto empregando os três usos da vírgula.

Gramática com textos: 9º ano - modalizadores do discurso

Introdução 
Esta é a última de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Objetivos 
Conhecer expressões modalizadoras do discurso; 
analisar o papel dos modalizadores no texto. 
Conteúdo - Expressões modalizadoras. 
Tempo estimado -Sete aulas. 

Desenvolvimento 

1ª etapa 
Comece a aula anotando no quadro a manchete abaixo. Informe aos alunos que ela foi publicada na primeira página de um jornal.

Para erradicar a pobreza, Brasil teria de gastar mais R$ 21,3 bi 
(Folha de S. Paulo, 14 nov. 2010)

Peça que os alunos, em dupla, analisem-na segundo os seguintes aspectos: 

a) o que a manchete apresenta como tema? 
b) como esse tema é apresentado, quais recursos linguísticos chamam a atenção dos alunos? 
c) qual o efeito de sentido, ou seja, o impacto causado pelas escolhas dos recursos mencionados no item acima? 

Dê um tempo para a realização da atividade e corrija-a com a moçada. 

a) Tema: os gastos necessários para a erradicação da pobreza no Brasil.
b) Recursos utilizados: 
- inversão da ordem direta; 
- uso do futuro do pretérito - teria; 
- uso do advérbio mais.
c) Efeitos de sentido: 
- ao inverter a ordem direta e começar a frase com a finalidade da ação, o autor dá mais ênfase ao objetivo (erradicar a pobreza) do que à ação necessária para alcançá-lo (gastar mais R$ 21,3 bi). 
- o uso do futuro do pretérito lança dúvidas sobre a realização da ação. 
- o uso do advérbio mais dá a ideia de que o que se gasta hoje não é suficiente e deixa claro que é preciso colocar um valor extra para alcançar o objetivo. 

Para terminar, proponha a reescrita da manchete. Peça que os alunos busquem alternativas para substituir a caráter de possibilidade por uma ideia de certeza. Sugira também que coloquem ênfase na ação que deve ser tomada para erradicar a pobreza. 

Dê um tempo para a realização da atividade e, em seguida, peça que os alunos apresentem suas opções. Algumas construções possíveis são:
Brasil gastará mais R$21,3 bi para erradicar a pobreza 
Brasil terá de gastar mais R$21,3 bi para erradicar a pobreza
2ª etapa 
Mostre à classe outras duas manchetes publicadas na primeira página do mesmo jornal. 
Com atraso, Campos de Jordão vai tratar esgoto
Corinthians vence o Cruzeiro com pênalti polêmico e é líder
Peça que os alunos identifiquem nelas as marcas do juízo de valor deixadas pelo enunciador (aquele que escreve o texto). Dê um tempo para que as duplas discutam. 

Durante a correção, chame a atenção da moçada para a expressão com atraso, colocada na primeira manchete. Ela mostra o viés que o enunciador quer dar ao texto. Peça que a classe observe também o papel do adjetivo polêmico, usado na segunda manchete para mostrar um julgamento a respeito do pênalti que deu a vitória ao Corinthians. 
Após a análise das manchetes, explique aos alunos que, ao produzirmos um texto oral ou escrito, usamos expressões que podem sugerir o nosso ponto de vista - reforçando-o ou atenuando-o. Essas expressões são chamadas de expressões modalizadoras. Elas podem ser constituías por verbos, advérbios, adjuntos adverbiais, adjetivos etc. 
Nas manchetes analisadas, foram usadas algumas fórmulas linguísticas que sugerem o ponto de vista dos autores a respeito do mundo. Diga aos alunos que é interessante perceber o uso desses dispositivos e considerá-los na hora de analisar o texto. Explique que o leitor deve se perguntar, por exemplo: terá mesmo sido polêmico o pênalti corintiano? Ou essa é apenas a opinião do jornalista? 

3ª etapa 
Coloque no quadro o seguinte trecho da Gramática Houaiss da Língua Portuguesa:
"A modalização diz respeito à expressão das intenções e pontos de vista do enunciador. É por intermédio da modalização que o enunciador inscreve no enunciado seus julgamentos e opiniões sobre o conteúdo do que diz/escreve, fornecendo ao interlocutor pistas ou instruções de reconhecimento do efeito de sentido que pretende produzir. (...) 

a) É possível que chova no Carnaval. (Suposição) 
b) É necessário que chova no Carnaval. (Necessidade) 
c) Vai chover no Carnaval. (Certeza)" 

AZEREDO, José Carlos. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008
Comente a definição com a turma e certifique-se de que o conteúdo está claro. Caso haja necessidade, discuta as dúvidas dos alunos. 

Feito isso, proponha à classe a leitura do boletim meteorológico abaixo. Peça que os alunos identifiquem os trechos assertivos e aquele onde há modalização indicativa de atenuação.
Chove em grande parte do Brasil 
As chuvas se espalham pelo país, atingindo faixa que vai de SC até AM. As pancadas são isoladas no Nordeste. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, há risco de temporais, sobretudo no sul de MG e RJ.
Folha de S. Paulo, 22 de nov de 2010, Caderno Cotidiano, C 2.
A classe deve perceber que os verbos chove e são, colocados no presente do indicativo, dão a ideia de certeza. Já a expressão há risco de temporais indica uma atenuação, mostrando que existe uma possibilidade que pode ou não se concretizar. 

Proponha que a turma reescreva o boletim de modo que o caráter assertivo seja substituído pela possibilidade ou probabilidade. 

Uma opção de resposta é:
Pode chover em grande parte do Brasil 
As chuvas podem se espalhar pelo país, atingindo faixa que vai de SC até AM. As pancadas podem ser isoladas no Nordeste. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, há risco de temporais, sobretudo no sul de MG e RJ.
Proponha que os estudantes realizem o mesmo exercício, utilizando a previsão astrológica abaixo. 
Áries (21 de mar. a 20 de abr.). 
Lua em Gêmeos favorece estudos, comunicação e contatos sociais em geral. Sol em Sagitário traz quatro semanas ótimas, para você desenvolver melhor sua espiritualidade, explorar com mais afinco novas maneiras de viver.
Folha de S. Paulo, 22 de nov de 2010, Caderno Ilustrada, E11
 Uma opção de resposta é:
Áries (21 de mar. a 20 de abr.). 
Lua em Gêmeos pode favorecer estudos, comunicação e contatos sociais em geral. Sol em Sagitário indica a possibilidade de quatro semanas ótimas para você desenvolver melhor sua espiritualidade, explorar com mais afinco novas maneiras de viver.
Corrija os dois exercícios. Mostre à turma que os dois gêneros textuais (previsão do tempo e astrologia) são baseados em probabilidades e deveriam, a rigor, ser descrito por meio de expressões modalizadoras de atenuação. Isso, no entanto, tiraria a força persuasiva das afirmações. Opta-se, então, por frases mais assertivas. 

4ª etapa 
Inicie a etapa explicando aos alunos que eles vão ler um texto que começa com a palavrainfelizmente. Pergunte a eles o que essa palavra sugere. Ouça o que têm a dizer. Incite-os a construir oralmente períodos em que a palavra se apresente. 

Em seguida, entregue o texto à classe.

Brutalidade não pode ser reação à cantada 
Jairo Bouer
INFELIZMENTE, em menos de um mês tenho que voltar ao tema da violência gratuita, face aos incidentes que aconteceram em plena avenida Paulista, quando um grupo de quatro menores e um garoto de 19, todos de classe média e teoricamente "educados", agrediram outros jovens. 
A coluna está sendo escrita um dia após os agressores terem sido liberados pelas autoridades responsáveis. Há indícios (segundo a própria polícia) de que a motivação para alguns dos ataques no dia 14 tenha sido a homofobia. 
A defesa alega que não houve homofobia, mas uma simples briga de jovens, talvez motivada por um suposto flerte de um dos garotos que foi agredido. Os agredidos e outras testemunhas negam que houve qualquer tipo de contato anterior e dizem que os agressores já chegaram batendo. 
Vamos supor que houve uma briga que nasceu de uma cantada. Desde quando a forma de se reagir a qualquer tipo de cantada, vindo ela de homens ou de mulheres, é uma agressão brutal? Cinco garotos atacando um jovem sozinho é uma simples briga? Na melhor das hipóteses, é pura covardia. Na pior, é um ato preconceituoso e bárbaro. 
Não dá para admitir tal comportamento como sendo natural, um rito de passagem, agressividade normal de meninos, necessidade de afirmação frente ao grupo e falta de limites colocados pelos pais, entre outras alegações. É uma selvageria inadmissível e, para isso, existe lei, julgamento e eventuais responsabilizações. 
Tendo a achar que a melhor maneira de aprender é trabalhar aquilo que é sensível. Assim, que tal colocar alguém que não sabe lidar com sua própria agressividade em um trabalho comunitário com vítimas de violência contra a mulher, de preconceito e de homofobia? Talvez, no contato com aquilo que incomoda, a gente cresça e aprenda a ser um adulto melhor. 

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm2211201012.htm. Acesso em 22 de nov. 2010

Pergunte o que acharam do texto e o que pensam sobre a violência juvenil. Promova uma discussão em classe sobre o tema. 

5ª etapa 
Após a discussão, releia o texto com a classe assinalando as modalizações realizadas. No primeiro parágrafo, marque as palavras infelizmente, gratuita e teoricamente. 

No terceiro parágrafo, encontram-se simples, talvez e suposto. Mostre aos alunos como essas palavras são utilizadas pela defesa dos jovens agressores, visando diminuir a gravidade do fato. A suposição elaborada pelos advogados atrela-se a palavras indicativas de hipóteses - talvez esuposto. A ela se contrapõe as afirmações dos agredidos e das testemunhas que aparecem no mesmo parágrafo. Eles negam que houve qualquer tipo de contato anterior e dizem que os agressores já chegaram batendo. Chame a atenção da classe para a assertividade presente nessas frases. 
No quarto parágrafo, o autor do texto parte da suposição lançada pela defesa dos agressores e a problematiza. Isso se dá por meio de duas questões em que o juízo do enunciador é reforçado por meio dos adjetivos: agressão brutal, simples briga. Na afirmação seguinte, a adjetivação também se apresenta: pura covardia, ato preconceituoso e bárbaro. 
No quinto parágrafo, analise com a moçada a expressão inicial - não dá para admitir tal comportamento - e as palavras inadmissível eventuais. A palavra inadmissível poderia ser tirada do texto sem prejuízo à mensagem. Sua presença, no entanto, marca o posicionamento de repulsa do enunciador. O uso da palavra eventuais associada a responsabilizações evita a condenação sem provas e remete, indiretamente, à instância legal. 
No último parágrafo, o enunciador mostra uma possível via de punição. Ele, entretanto, atenua o caráter de verdade de sua proposta ao usar as expressões Tendo a achar que e Talvez, no contato com aquilo que incomoda, a gente cresça e aprenda a ser um adulto melhor. 
Solicite que os alunos redijam um parágrafo comentando o texto de Jairo Bouer. Eles devem usar algumas das seguintes expressões modalizadoras: é certo que, felizmente, infelizmente,inadmissível, provavelmente talvez. 

6ª etapa 
Dedique uma aula à leitura pelos alunos dos textos produzidos. Observe se o uso das expressões modalizadoras foi realizado corretamente. 
É interessante que a discussão sobre violência juvenil ultrapasse os limites da sala de aula. Se possível, exponha o artigo de Jairo Bouer e os textos dos alunos no mural da escola. 

Avaliação 
Proponha que os alunos leiam o texto abaixo e realizem a atividade a seguir.

Origens da Linguagem
A questão da origem da linguagem ou, em outros termos, da evolução do comportamento comunicativo do humano é altamente controvertida, dada a inexistência de provas e testemunhas factuais, diferentemente da evolução da espécie humana, para qual existem evidências concretas. Isso tornou o tema sujeito às mais inusitadas divagações e propostas fantasiosas. Uma das primeiras teorias sobre a origem da linguagem humana é que as palavras surgiram da tentativa de imitar os sons produzidos pelos animais, como quá-quá, bem-te-vi, cuco, e os sons da natureza circundante, como o farfalhar das folhas, o correr das águas, o barulho do vento e da chuva, por meio de sons sibilantes ou chiantes, como s, z, ch, de nasais murmurantes, como m e de líquidas como l e r. A imitação tornava-se a palavra que designava o objeto. Essa teoria, conhecida como teoria onomatopaica, evoca a seu favor a existência de onomatopéias em todas as línguas. Além disso, é comum a mãe, ao mostrar o filho pequeno um livro com animais, dizer-lhe: olha o au-au, olha o miau, olha o cocoricó, olha o muu, nomes que muitas vezes a criança usa para se referir ao cachorro, gato, galo e vaca. No entanto o elo perdido está em saber como de au-au passa a ser cachorro, de miau a gato, de muu a vaca. 
Outra possibilidade proposta, muito semelhante à explicação onomatopaica, foi a de identificar o germe da linguagem nas interjeições. Os primeiros sons produzidos pelos homens teriam sido exclamações de dor, alegria, desespero, espanto, surpresa, o que também não explica como se passou do estágio dos gritos expressando emoções à linguagem articulada de frases como eu estou com dor, eu estou feliz, eu estou desesperado etc. 

FRANCHETTO, B. e LEITE, Y. Origens da Linguagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004, pp11-12.

Atividades: 
a) Identificar as expressões modalizadoras presentes nos dois primeiros períodos do texto. 
b) Produzir um texto resumindo e comentando o trecho lido. Nele, os alunos devem usar duas expressões modalizadoras diferentes das utilizadas pelas autoras.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)