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domingo, 19 de agosto de 2012

Gramática com textos: 7º ano - complemento verbal




Introdução 
O texto inicial dessa aula é uma resenha. Esse gênero caracteriza-se pela análise de um livro, filme ou exposição. Nessa resenha, o objeto é o livro Metamorfoses, organizado por Heloisa Prieto. A obra é qualificada como uma brincadeira baseada em um trecho da obra homônima de Ovídio e do livro de Kafka, Metamorfose. A "brincadeira" remete à intertextualidade: é um dos mecanismos da criação artística; nesse caso, a literária.
Objetivos 
- Analisar a transitividade verbal
- Identificar o papel dos complementos verbais e as mudanças de sentido que eles podem gerar 
- Analisar o papel dos pronomes oblíquos como complemento verbal
Conteúdos específicos
- Transitividade verbal
- Pronomes oblíquos
- Complemento verbal
Tempo estimado - Seis aulas

Desenvolvimento
1ª etapa 
Inicie a aula caracterizando o gênero resenha. Em seguida, entregue o texto abaixo aos alunos. Diga aos alunos que nele algumas palavras foram suprimidas. Peça que leiam o texto e procurem restituí-las.

Texto - Metamorfoses
Textos bastante variados, de fantasma, humor negro, entre homenagens e reflexões, falam ____ mutações que a vida nos impõe 
Esta antologia nasceu de uma espécie de jogo literário - como bem definiu sua organizadora, Heloisa Prieto - do qual participaram quatro escritores de renome: Ana Miranda, Ricardo Azevedo, Angela Lago e Heloisa Seixas. Prieto sugeriu aos convidados a leitura de dois textos sobre o tema da transmutação - um trecho das Metamorfoses de Ovídio, obra escrita numa época que a narrativa se reportava a um tempo e espaços mágicos, nos quais cada ser continha a possibilidade secreta da transformação; e o primeiro capítulo da Metamorfose de Kafka, considerada por muitos a metáfora mais perfeita da condição do homem contemporâneo. Com base nessas leituras, eles criariam seus próprios contos. 
Os resultados foram textos tão díspares quanto nossos universos pessoais. Ora mais próximos de um diálogo com a literatura clássica, ora inspirados nos textos da modernidade, eles falam _____ uma indiazinha que, de certa maneira, vira pássaro; ____ alguém que resolve se enterrar vivo, optando por afundar em sue próprio abismo; ____ solidão de uma viúva mineira e sua paixão por gatos vira-latas, aparentemente inocentes, e até ____ Raul Seixas. Os contos são ilustrados e vêm acompanhados pelos dois textos que serviram de inspiração. Na mesma série de antologias juvenis criadas por Heloisa Prieto estão os volumes Vida Crônica e De Primeira Viagem. 

Disponível em: http://www.ciadasletrinhas.com.br/detalhe.php?codigo=13020 . Acesso em 18 set. 2010.

Inicie a correção da tarefa, solicitando que dois alunos leiam o texto. Um lê o título, o trecho que o segue e o primeiro parágrafo; o outro, o segundo parágrafo com as devidas inserções. 
Após a leitura, pergunte se eles têm alguma questão sobre o conteúdo do texto. Explique o que é uma metamorfose e explicite a sua presença na obra de Ovídio e Kafka. Diga aos alunos que, na história da literatura, há vários exemplos de metamorfoses, ou seja, poemas ou narrativas em que personagens sofrem transformações dolorosas, com sentido alegórico. 
Retome a correção da tarefa. A primeira supressão está associada ao verbo falar. Esteja atento se os alunos perceberam a relação entre a palavra escolhida e o verbo. Pare e reflita com eles sobre as escolhas realizadas. Podemos em Língua Portuguesa dizer falam de mutações, falam sobremutações. Mostre a eles que o trecho de mutações completa o sentido do verbo. O importante é que os alunos percebam que o verbo falar, nesse caso, significa discorrer sobre algo e nesse sentido ele está associado a um complemento precedido de preposição. 

Os próximos espaços preenchidos pela moçada remetem ao mesmo verbo. Nessas ocorrências, ele também significa discorrer. Mostre aos alunos que nelas o verbo apresenta-se uma vez, mas quatro construções são regidas por ele. O sujeito eles e o verbo falam estão suprimidos, mas ficam implícitos na construção da enumeração marcada pelo uso do ponto e vírgula. 

Assim temos: 

Ora mais próximos de um diálogo com a literatura clássica, ora inspirados nos textos da modernidade, eles falam 
de uma indiazinha que, de certa maneira, vira pássaro; 
de alguém que resolve se enterrar vivo, optando por afundar em sue próprio abismo; 
da solidão de uma viúva mineira e sua paixão por gatos vira-latas, aparentemente inocentes, e 
até de Raul Seixas. 

2ª etapa 
Escolha um dicionário, retire dele algumas acepções do verbo falar e mostre aos alunos que esse verbo possui múltiplas regências e elas associam-se à variedade de significados e, por vezes, às variantes linguísticas, ou seja, ao uso da língua por grupos diferentes em contextos diferentes. A construção falar sobre algo, por exemplo, usada com frequência entre nós, para alguns gramáticos é vista como galicismo, ou seja, traço da influência do francês na língua portuguesa. 

Veja abaixo o exemplo de alguns significados desse verbo retirados do dicionário Aurélio. O dicionário indica 26 significados e o uso de mais quatro expressões, envolvendo o verbo. A última expressão é a gíria Falou!, significando é isso mesmo. 

Falar: V. int. 1. Ser muito expressivo: Seus olhos falam. 2. Revelar o que não era permitido: O prisioneiro falou. T.d. 3. Exprimir por meio de palavras, proferir, dizer.Falou a verdade e ninguém acreditou. 4. Dizer, contar, referir: Falava muita gente, mas sem provas . T. i. 5. Conversar ou discursar, discorrer: Falarei de nós como de um sonho. 6.Falar ou dizer mal; maldizer: Língua viperina, a daquele homem: é capaz de falar da própria mãe. (Com cortes) 

Caso você escolha usar o exemplo acima, explique o teor das abreviações presentes no verbete. 
v.i - verbo intransitivo: não exige complemento - constitui o predicado sozinho. 
v.t. - verbo transitivo: exige complemento - não constitui sozinho o predicado. 
v. t. d. - verbo transitivo direto - exige complemento sem a presença da preposição. 
v. t. i. - verbo transitivo indireto - exige complemento com a presença de preposição 

Releia a resenha com os alunos e enfatize os complementos dos verbos sugerir (sugeria), reportar (reportava) e conter (continha). Peça que eles sublinhem no texto o verbo sugerir. Ele apresenta transitividade, ou seja, exige complemento - aos (preposição a + o artigo), diante da pessoa -convidados - e apenas o artigo a, diante da coisa - a leitura. O verbo reportar apresenta-se acompanhado pela preposição a e do artigo um - reportava a um tempo e espaços mágicos -; o verbo conter é acompanhado apenas do artigo - cada ser continha a possibilidade secreta da transformação . Realize com os alunos um quadro em que presença dos complementos esteja visível, assim como a presença ou não da preposição. 
Proponha como tarefa para casa a reescrita dos trechos em que há a ocorrência do verbo falar: o trecho que antecede o início da resenha e o segundo período do segundo parágrafo. Os alunos devem substituí-lo pelos verbos discorrer e apresentar e assinalar as diferenças ocorridas. 

3ª etapa 
Inicie a aula, corrigindo a tarefa proposta. O emprego do verbo discorrer na resenha, com o significado de abordar um assunto, coloca a necessidade de um complemento introduzido pela preposição sobre. Escreva no quadro os trechos com as substituições necessárias. O verboapresentar, por sua vez, também necessita de complemento quando significa mostrar, exibir, mas, diferente dos verbos discorrer e falar, esse verbo não tem seu complemento, introduzido por preposição. 
Discuta com os alunos as diferenças de sentido entre o verbo falar, constante na resenha, e os verbos discorrer e apresentar utilizados para substituí-lo no exercício proposto. O uso de falar, no sentido empregado no texto, pertence à variante informal, possui traços do registro coloquial; os verbos discorrer e apresentar, por sua vez, indiciam maior grau de formalidade. 
Após essa correção, apresente aos alunos o texto O Gigante Adamastor da adaptação da obra Os Lusíadas realizada por Rubem Braga e Edson Rocha Braga. Antes da leitura do texto, faça uma síntese da obra de Camões. Originalmente, ela é um grande poema épico - são 8.816 versos -, mas a adaptação utilizou o discurso em prosa. Diga aos alunos que, no episódio a ser lido, Vasco da Gama conta ao rei Melinde o encontro com o gigante Adamastor e a história narrada pelo monstro aos portugueses. Nela, Adamastor informa aos navegantes como se transformou no Cabo das Tormentas. Assim, a história do gigante, como os textos da obra organizada por Heloisa Prieto, é a narrativa de uma mutação; de uma metamorfose. 

Leia o texto para os alunos.

Texto O Gigante Adamastor 

O rei de Melinde, vivamente impressionado, seguia com grande atenção o relato de Vasco da Gama. 
Cinco dias, depois de deixarmos aquela terra, seguimos com ventos favoráveis por mares desconhecidos quando, numa noite, surgiu uma nuvem que tomou conta do céu. Era uma nuvem tão carregada e ameaçadora que encheu nossos corações de medo. Então, de repente, surgiu no ar um monstro robusto, com o rosto zangado, cor de terra. Tinha uma barba enorme, olhos encovados, cabelos desgrenhados e cheios de terra, a boca negra, os dentes amarelos. Era tão grande que ao vê-lo, comparei ao Colosso de Rodes - uma das maravilhas do mundo antigo. Num tom de voz que parecida sair do mar profundo, arrepiando a todos nós, ele nos falou: 
"- Ó gente ousada, mais que todas as que no mundo realizaram grandes façanhas, gente que nunca repousa de tantos trabalhos e tantas guerras, e que ousa navegar meus longos mares, jamais sulcados por navios desta ou de outras partes. Vocês, que vêm desvendar os segredos do oceano, ouçam agora de mim os castigos que os aguardam. Saibam que quantas naus se atreverem a fazer esta viagem que agora realizam terão esta paragem como inimiga, enfrentando grandes ventos e tormentas." 
E o gigante passou a fazer previsões sobre as terríveis desgraças que os portugueses sofreriam naquela região. Disse, entre outras coisas, que aplicaria um grande castigo em seu descobridor, Bartolomeu Dias, quando ele por ali passasse outra vez, e que a morte seria o menor mal para quem ousasse se aproximar dele. 
"- Mas quem é você, afinal?" - perguntei. 
"- Sou aquele grande cabo" - respondeu - "a quem vocês chamam das Tormentas. Marco o final da costa africana, neste promontório que aponta para o pólo Antártico. Meu nome é Adamastor, lutei na guerra dos titãs contra Júpiter e os demais deuses. Fui incumbido de derrotar a armada de Netuno, e tamanha empresa aceitei por amor da ninfa Tétis, pois, sendo eu muito feio e grande, só me restava o caminho das armas para tirá-la da corte do deus do mar. Vindo a saber do meu intento, ela disse que se entregaria a mim, para livrar o oceano da guerra. Ah, como é grande a cegueira dos amantes! Desistindo da luta, uma noite fui encontrá-la. Vi-a aparecer ao longe, completamente nua. Como um louco, corri em sua direção; abracei-a e beijei-lhe os olhos, o rosto e os cabelos. Porém - a lembrança ainda dói - logo descobri o engano: não era Tétis que estava em meus braços, mas um monte selvagem. Tremendo de raiva, fui à procura de um lugar esconder meu pranto e me esconder do escárnio. Nesse meio tempo, meus irmãos gigantes foram derrotados pelos deuses e muitos deles aprisionados debaixo de montanhas. Quanto a mim, eles transformaram meu corpo em terra e meus ossos em rochas, para depois me estenderem aqui, debruçado sobre as ondas que tanto me lembram Tétis." 
Ao terminar sua história - prosseguiu Vasco da Gama -, o gigante desapareceu diante dos nossos olhos, em meio a um choro medonho. A nuvem negra se desfez e o mar bramiu. Levantando as mãos ao céu, que nos guiara de tão longe, pedi a Deus que afastasse de nós os desastres previstos por Adamastor. 
Suas preces foram ouvidas. De manhã, o sol revelou aos portugueses o promontório em que o gigante fora transformado. Logo depois, a esquadra singrava as águas que banham a costa oriental da África. 
CAMÕES, Luiz de. Os Lusíadas. Adaptação de Rubens Braga e Edson Rocha Braga. São Paulo: Scipione, 1997. (Com alteração)

Explicite as referências à cultura greco-romana. Pergunte aos alunos o que acharam da narrativa. Caso julgue pertinente, peça auxílio ao professor de História. Ele pode explicitar para a classe o papel do Cabo das Tormentas no imaginário europeu no fim da Idade Média. 
 
Peça aos alunos a elaboração de uma pequena resenha do texto: uma síntese acompanhada de um comentário sobre ele. Nessa produção, eles devem usar os seguintes verbos aborda (no sentido de tratar de um tema ou assunto) e indico (no sentido de sugerir, aconselhar). Para a próxima aula, solicite que os alunos tragam um minidicionário de uso da classe. Caso não o possuam, outra estratégia pode ser proposta. 

4ª etapa 
Inicie a aula solicitando aos alunos a leitura das resenhas produzidas. Observe se os verbos solicitados foram usados de modo correto. 
Faça o levantamento oral com os alunos dos outros significados que podem ser atribuídos aos verbos abordar e indicar além dos propostos para a realização do exercício. A cada ideia dos alunos peça que construam uma sentença que exemplifique o sentido proposto. 

Peça que procurem os verbos abordar e indicar no dicionário. Façam a leitura dos significados desses verbos. Discuta com eles os vários significados que uma palavra pode assumir; mostre que as alterações dos significados podem associar-se às mudanças na transitividade: o verbo pode exigir ou não complemento e, caso exija, pode ou não ser seguido de preposição ou, ainda, exigir preposições diferentes de acordo com os significados assumidos. O verbo apontar presente no texto indica direção e, nesse caso, vem acompanhado da preposição para. Sem o uso dessa preposição ele indica o ato de apontar um lápis, por exemplo, ou de surgir, de apontar um determinado objeto. 

Peça que procurem no dicionário o significado de assistir. Solicite a um aluno a leitura do verbete. Faça-os observar as diferenças: no sentido de ver, ele necessita de preposição: assisti ao filme, mas no sentido de auxiliar, ele não exige a presença de preposição: eu assisti o meu amigo doente. Caso o dicionário possua exemplos, indique o registro no caderno, explicitando se o complemento comporta ou não a preposição. Caso não os possua, construam coletivamente um exemplo para cada um dos significados propostos. Discuta com os alunos que a ocorrência que associa o verbo ao uso da preposição no sentido de ver, acompanhar visualmente, tem, cada vez mais, se restringido ao discurso formal. No uso cotidiano do português brasileiro, há o predomínio de assistir seguido de complemento direto: Eu vou assistir o filme. 

5ª etapa 
Peça aos alunos que retomem o texto do episódio do gigante Adamastor. Faça a leitura compartilhada do texto. Assinale junto com os alunos as ocorrências abaixo de pronome oblíquo no texto: 

a) Era tão grande que, ao vê-lo, comparei-o ao Colosso de Rodes; 
b) Num tom de voz que parecia sair do mar profundo, arrepiando a todos nós, ele nos falou; 
c) Vocês, que vêm desvendar os segredos do oceano, ouçam agora de mim os castigos que osaguarda; 
d) Fui incumbido de derrotar a armada de Netuno, e tamanha empresa aceitei por amor da ninfa Tétis, pois sendo eu muito feio e grande, só me restava o caminho das armas para tirá-la da corte do deus do mar; 
e) Desistindo da luta, uma noite fui encontrá-la; 
f) Vi-a aparecer ao longe, completamente nua; 
g) Como um louco, corri em sua direção; abracei-a e beijei-lhe os olhos; 
h) Quanto a mim, eles transformaram meu corpo em terra e meus ossos em rochas, para depois me estenderem aqui; 
i) Levantando as mãos ao céu, que nos guiara de tão longe. 

Com base nos trechos acima, analise com a turma o papel sintático dos pronomes oblíquos. Diferente dos pessoais, eles atuam como complemento do verbo e não como sujeito. 

Proponha aos alunos uma atividade em dupla. Eles devem reconstituir os complementos que os pronomes substituem, explicitando se os verbos aos quais se vinculam demandam ou não a presença da preposição. Analise com os alunos que isso não depende simplesmente do pronome escolhido, mas remete às exigências do verbo. Caso tenham dúvida, sugira que consultem um dicionário em que a regência verbal se apresente. Nesse caso, eles devem prestar atenção à regência e ao significado do verbo, pois um mesmo verbo pode possuir mais de um significado. 
Durante a correção, atente para a colocação pronominal. Em alguns casos, o pronome antecede ao verbo. Diga aos alunos que essa localização vincula-se à atração exercida por palavras como o que, advérbios ou pronomes pessoais.
Avaliação 
Como atividade avaliativa, proponha a leitura do texto e o preenchimento das lacunas com as palavras dadas. Essas palavras podem vir acompanhadas de preposição ou artigos.

Texto O papel das mulheres na Idade Média

A sociedade medieval era dominada pelos homens, mas as mulheres desempenhavam -------------------------- essencial em casa e no trabalho. 
As mulheres trabalhavam em todo lugar. As camponesas cuidavam -------------------------- e 
----------------------------------, cozinhavam, recolhiam ------------------------------, cuidavam --------------------------------, sangravam -------------------------------. Frequentemente aravam ---------------------------- como os homens. Na cidade, as mulheres dos artesãos fiavam e teciam. Mesmo grávidas, elas continuavam trabalhando e só paravam para dar à luz.
BRISOU-PELLON, E. e al. A Vida na Idade Média. São Paulo: Scipione, 1998.

Palavras que devem ser inseridas:  Casa –porco- papel -solo -madeira –pátio- crianças

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)