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domingo, 19 de agosto de 2012

TÉCNICA DE LEITURA: PAUSA PROTOCOLADA



Pausa protocolada
Uma atividade muito usada por professores e que envolve a produção de inferências é a leitura protocolada ou pausa protocolada. O professor lê uma parte da estória e faz várias perguntas aos alunos para que eles façam previsões sobre o que vai acontecer. Para fazer isso o aluno tem que ter entendido o que foi lido, e fazer projeções a respeito do que pode vir a acontecer. À medida que se avança no texto, mais informações devem ser lembradas e levadas em consideração, o aluno deve, então, fazer previsões e checar a compatibilidade dessas previsões com o que já é sabido do texto. Essa é uma tarefa interessante porque trabalha com relações de causa / consequência.
Neste tipo de atividade existem algumas perguntas que o professor não deve deixar de fazer para os alunos. Entre elas podemos citar: ‘com base em quê você está fazendo essa previsão?’ e ‘que dicas do texto você está usando?’. Essas perguntas ajudam os alunos a tornar mais consciente o processo de interpretação de texto.
A pausa protocolada pode ser feita com qualquer tipo de texto - narrativas, cartas, relatórios, receita de bolo, etc. - e através dela pode-se trabalhar tanto a produção de inferências em relação ao significado do que vai ser dito (ex.: agora o mocinho vai correr atrás dos ladrões e vai lutar com eles) mas também para mostrar aos alunos que os textos são construídos dentro de uma estrutura previsível porque padronizada, isto é, cada tipo de texto segue um padrão estrutural previamente determinado (ex.: receita: primeiro vêm os ingredientes depois o modo de fazer e por fim o rendimento em porções). É interessante mostrar aos alunos que essa estrutura existe e pode ser usada para criar expectativas do que se espera encontrar em cada parte do texto. A consciência dessa estrutura tende a refletir positivamente nos alunos tanto no momento em que eles estiverem lendo quanto durante sua produção de texto.
Piadas e textos fantásticos podem ser explorados de forma muito interessante na pausa protocolada, pois rompem com o esperado. Para criar o inusitado muitas vezes é preciso passar antes pelo previsível e depois fazer a inversão, sendo assim o trabalho do aluno é dobrado, porém mais instigante e desafiador.
TÉCNICA DE LEITURA:
PAUSA PROTOCOLADA
A) O título: OUSADIA
1º parte:

Perguntas tipo I:
- O que é ousadia?
- O que significa a palavra ousadia?
- Dê um sinônimo para o termo ousadia.

Perguntas tipo II:
- Sobre o que o texto vai falar?
- Invente uma possível história para esse título.

Perguntas tipo III : 
- Você é uma pessoa ousada?
- O que é uma pessoas ousada para você?


2ª Parte

A moça ia no ônibus muito contente da vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:
- A sua passagem já está paga, disse o motorista.
- Paga por quem?
- Esse cavalheiro aí.




Perguntas tipo I:
- Quem ia no ônibus?
- O que aconteceu quando ela foi descer?
- Quem recebeu a passagem?
- Quem pagou a passagem para a moça?

Perguntas tipo II:
- Por que a contrariedade se anunciou?
- Quem era o cavalheiro?
- O que vai acontecer agora?



3ª Parte

E apontou um mulato bem vestido que acabara de deixar o ônibus, e aguardava com um sorriso junto à calçada.
- É algum engano, não conheço esse homem. Faça o favor de receber.
- Mas já está paga...
- Faça o favor de receber! – insistiu ela, estendendo o dinheiro e falando bem alto para que o homem ouvisse: - Já disse que não conheço! Sujeito atrevido, ainda fica ali me esperando, o senhor não está vendo? Vamos, faço questão que o senhor receba minha passagem.




Perguntas tipo I:
- Quem pagou a passagem?
- A moça gostou ou não? Por quê?

Perguntas tipo II:
- Por que a moça acha que o mulato é um “sujeito atrevido”?
- Por que ele pagou a passagem para ela?
- Como é que a estória vai continuar?
- O motorista irá aceitar o dinheiro da moça?



4ª Parte

O motorista ergueu os ombros e acabou recebendo: melhor para ele, ganhava duas vezes.
A moça saltou do ônibus e passou fuzilando de indignidade pelo homem.
Foi seguindo pela rua sem olhar para ele.
Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos.




Perguntas tipo I:
- O motorista aceitou o dinheiro da moça? Por quê?
- Como foi que a moça saltou do ônibus?
- O moço a seguia? De que forma?

Perguntas tipo II:
- O que é “fuzilando de indignação?
- Por que ela foi seguindo sem olhar para ele?
- Para que o moço a seguia?
- O que vai acontecer agora?

Perguntas tipo III
- O motorista fez bem em aceitar o dinheiro da moça? Por quê?



5ª Parte

Somente quando dobrou à direita para entrar no edifício onde morava, arriscou uma espiada: lá vinha ele! Correu para o apartamento , que era no térreo, pôs-se a bater, aflita:
- Abre! Abre aí!




Perguntas tipo I:
- Para onde foi a moça?
- O mulato continuava seguindo-a?
- Ela o viu?
- Ela conseguiu entrar no edifício onde morava?

Perguntas tipo II:
- Ela vai entrar em seu apartamento? Onde é o térreo?
- Quem abrirá a porta?



6ª Parte

A empregada veio abrir e ela irrompeu pela sala,contando aos pais atônitos, em termos confusos, a sua aventura.
- Descarado, como é que tem coragem? Me seguiu até aqui!
De súbito, ao voltar-se, viu pela porta aberta que o homem ainda estava lá fora, no saguão. Protegida pela presença dos pais , ousou enfrentá-lo:
- Olha ele ali! É ele, venham ver! Ainda está ali, o sem-vergonha. Mas que ousadia!




Perguntas tipo I:
- Quem abriu a porta?
- Como a moça entrou em casa?
- A quem ele contou a estória?
- Como ela contou o que tinha acontecido a ela?
- Como os pais ficaram?

Perguntas tipo II:
- Por que o moço a seguiu?
- Por que ela o chamou de “sem-vergonha” ?
- O que os pais vão fazer?
- Qual o significado da palavra “ousadia” nesse contexto?

Perguntas tipo III:
- O que o rapaz fez para ser chamado de “sem-vergonha”?
- Você concorda ou não com a moça ao considerar uma ousadia o comportamento do rapaz?



7ª Parte

Todos se precipitaram para porta. A empregada levou as mãos à cabeça:
- Mas senhora, como é que pode! É o Marcelo.
- Marcelo? Que Marcelo? – a moça se voltou surpreendida.




Perguntas tipo I:
- Qual era o nome do mulato bem vestido?
- Quem o conhecia?

Perguntas tipo II:
- Quem era o Marcelo?



8ª Parte

- Marcelo, o meu noivo. A senhora conhece ele, foi quem pintou o apartamento.
A moça só faltou morrer de vergonha:
- É mesmo, é o Marcelo! Como é que eu não reconheci! Você me desculpe, Marcelo, por favor.




Perguntas tipo I:
- Quem era o Marcelo?
- Como a moça se sentiu?
- Qual a reação da moça?

Perguntas tipo II:
- Por que a moça só faltou morrer de vergonha?
- O Marcelo irá desculpá-la? Por quê?

Perguntas tipo III:
- Se você fosse o Marcelo você a desculparia? Por quê?
- Como é que você acha que o Marcelo estava se sentindo?



9ª Parte

No saguão, Marcelo torcia as mãos, encabulado:
- A senhora é que me desculpe , foi muita ousadia...




Perguntas tipo I:
- O Marcelo a desculpou?
- Qual o sentido da palavra ousadia?

Perguntas tipo II:
- Por que a moça não reconheceu Marcelo?
- Que outro título você daria à estória?

Perguntas tipo III:
- O Marcelo devia ou não ter pagado a passagem da moça? Por quê?



Para que não se perca a visão global do texto, aqui está ele sem cortes:

OUSADIA
A moça ia no ônibus muito contente da vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:
- A sua passagem já está paga, disse o motorista.
- Paga por quem?
- Esse cavalheiro aí.
E apontou um mulato bem vestido que acabara de deixar o ônibus, e aguardava com um sorriso junto à calçada.
- É algum engano, não conheço esse homem. Faça o favor de receber.
- Mas já está paga...
- Faça o favor de receber! – insistiu ela, estendendo o dinheiro e falando bem alto para que o homem ouvisse: - Já disse que não conheço! Sujeito atrevido, ainda fica ali me esperando, o senhor não está vendo? Vamos, faço questão que o senhor receba minha passagem.
O motorista ergueu os ombros e acabou recebendo: melhor para ele, ganhava duas vezes.
A moça saltou do ônibus e passou fuzilando de indignidade pelo homem.
Foi seguindo pela rua sem olhar para ele.
Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos.
Somente quando dobrou à direita para entrar no edifício onde morava, arriscou uma espiada: lá vinha ele! Correu para o apartamento , que era no térreo, pôs-se a bater, aflita:
- Abre! Abre aí!
A empregada veio abrir e ela irrompeu pela sala,contando aos pais atônitos, em termos confusos, a sua aventura.
- Descarado, como é que tem coragem? Me seguiu até aqui!
De súbito, ao voltar-se, viu pela porta aberta que o homem ainda estava lá fora, no saguão. Protegida pela presença dos pais , ousou enfrentá-lo:
- Olha ele ali! É ele, venham ver! Ainda está ali, o sem-vergonha. Mas que ousadia!
Todos se precipitaram para porta. A empregada levou as mãos à cabeça:
- Mas senhora, como é que pode! É o Marcelo.
- Marcelo? Que Marcelo? – a moça se voltou surpreendida.
- Marcelo, o meu noivo. A senhora conhece ele, foi quem pintou o apartamento.
A moça só faltou morrer de vergonha:
- É mesmo, é o Marcelo! Como é que eu não reconheci! Você me desculpe, Marcelo, por favor.
No saguão, Marcelo torcia as mãos, encabulado:
- A senhora é que me desculpe , foi muita ousadia...
Fonte:
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS PROJETO ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL
A PESQUISA PSICOLINGÜÍSTICA NA SALA DE AULA . Carla Viana Coscarelli Faculdade de Letras, UFMGRetirado de: http://davidgabrielsil.blogspot.com.br/2010/11/pausa-protocolada.html


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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)