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sábado, 27 de outubro de 2012

Exercício sobre Discurso Direto e Indireto


Yes, we can!
Transformar Discurso Direto em Discurso Indireto é um exercício comum nas primeiras aulas de redação. Não é simplesmente um exercício de reescrita, pois exige do aluno conhecimentos sobre pontuação,tempos verbaisadvérbiospronomes demonstrativos… Esse recurso é usado quando se quer reproduzir uma determinada fala da personagem num “momento posterior”. Veja um exemplo simples dessa transformação:

Ex.: Carlos, todo animado, falou para sua mãe:
_ Mãe, ganhei $ 0,16 no adsense. Posso fazer uma prestação nas casas Bahia?
_ Acorda pra vida, blogueiro de meia pataca! – disse sua mãe.

Vejam agora no discurso indireto:

Carlos, todo animado, falou para sua mãe que havia ganhado $ 0,16 no adsense e se poderia fazer uma prestação nas casas Bahia. Sua mãe, chamando-o de blogueiro de meia pataca, mandou-o acordar pra vida.
 
Entenderam? Agora é só fazer os Exercícios de Transformação de Discurso Direto em Discurso Indireto (e vice-versa) logo abaixo.

1. Reescreva os textos seguintes na forma de diálogo, ou seja, usando o discurso direto.
a) Katia  perguntou a sua prima se ela iria sair de casa à noite. Sua prima disse que não porque iria estudar.
b) Marcos disse a sua mãe que estava cansado. Ela recomendou-lhe que dormisse mais cedo e não ficasse tanto tempo no computador.

2. Os textos abaixo estão no discurso direto. Reescreva-os no discurso indireto.
a) Fernando reclamou para sua mãe:
- Que fome!
Sua mãe retrucou:
- Calma, garoto! O Almoço está quase pronto!
b) A médica perguntou:
- Joana, você tomou todos os remédios?
Joana respondeu:
- Sim, doutora! Estou me sentindo bem melhor!

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)