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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Mudanças em vista: faça a passagem entre-séries de forma tranquila


A passagem entre séries pode ser bem tranquila. Para tanto, vale organizar visitas monitoradas e bate-papos entre alunos e professores

Diego Braga Norte 
Foto: Cristiano Mariz
FIM DAS DÚVIDAS A professora Anne Karine Miranda fala sobre os conteúdos do 6º ano com alunos do 5º. Foto: Cristiano Mariz
"O sentimento que prevalece, especialmente no primeiro mês, é o medo." Alessandra Nascimento, professora de Língua Portuguesa do Instituto de Educação Integral (Inei), unidade Lago Sul, em Brasília, descreve dessa maneira o comportamento das crianças que acabam de sair do 5º e chegam ao 6º ano. E é natural os alunos se sentirem assim. Afinal, a nova série traz uma lista considerável de desafios quando comparada à anterior. O mais importante é a escola encontrar maneiras de atenuar as dificuldades, auxiliando na adaptação. Interações entre alunos e professores, visitas monitoradas às novas instalações e adoção de hábitos de organização são pontos-chave para fazer a mudança - inevitável e necessária - sem contratempos.

A primeira diferença entre as duas etapas é a maior quantidade de professores. Depois de conviver com apenas um educador em sala de aula durante anos, a troca para até oito deles parece algo bem difícil. Por isso, a professora de Ciências Anne Karine Miranda, também do Inei, faz questão de participar de rodas de conversa com as classes de 5º ano. Nessas ocasiões, Anne fala sobre as tarefas e as avaliações de sua disciplina, antes mesmo de começar a lecionar para a turma.

Em Florianópolis, o Instituto Estadual de Educação (IEE), adota uma atividade similar. Desde 2007, a escola coloca em prática um processo de transição que prevê várias ações. Segundo o coordenador de ensino Vendelin Borguezon, uma delas é a palestra, feita em novembro, para todos os estudantes de 5º ano. No evento, os educadores se apresentam, traçam um panorama dos conteúdos e tiram dúvidas. "Esse tipo de encontro é proveitoso. A garotada fica ansiosa e procuramos mostrar que esse é um processo pelo qual todos passam", destaca Borguezon.

Além do contato com os futuros professores, é válido promover a interação dos mais novos com os mais velhos. Assim, os que já se adaptaram ao novo jeito de estudar explicam aos outros como fizeram para se adequar (confira as principais dificuldades dessa fase e as ações para ajudar a superá-las no quadro abaixo). Esses momentos de troca podem ocorrer em uma visita dos estudantes de 5º ano a uma sala de 6º para a realização de uma entrevista, por exemplo. Segundo Maria Aparecida Ferreira da Silveira, educadora e formadora de professores do Instituto Chapada, em Palmeiras, a 390 quilômetros de Salvador, antecipar dados da realidade do ano seguinte é mesmo uma das melhores formas de evitar o choque inicial.
Como a escola pode ajudar em cada momento
como a escola pode ajudar em cada momento






















Os espaços e o ritmo de estudo são diferentes nessa nova fase

Outra questão a ser encarada diz respeito ao espaço físico. Para muitas crianças, terminar o 5º ano significa mudar para a escola mais próxima, onde são oferecidas as séries finais do Ensino Fundamental. Nesses casos, é importante que diretores e coordenadores das unidades que atendem até o 5º ano combinem uma visita monitorada a salas de aula, laboratórios, quadras e pátios que serão usados em breve. Mesmo quando a escola é a mesma, pode ocorrer de as séries finais ocuparem locais diferentes dos reservados às iniciais. Às vezes, os alunos tiveram pouco ou nenhum contato com os futuros ambientes de ensino.
Foto: Edu Lyra
MUDANÇAS EM VISTA Para a professora Maria Cristina Nazário, apresentar o laboratório agiliza a adaptação. Foto: Edu Lyra
Conhecer os espaços previamente aplaca a curiosidade e ajuda na localização espacial. A professora Maria Cristina Nazário, que leciona Ciências no 6º ano do IEE, sabe bem o que esse tipo de novidade provoca na garotada. "Dou aulas práticas no laboratório e, por isso, tenho de me deslocar com eles até lá. No começo, eles ficam muito agitados e dispersos", diz. Segundo ela, o comportamento é diferente se eles já conheceram, no ano anterior, a sala de estudo: a ida ao local ocorre com mais naturalidade e menos barulho - o que é melhor para as classes que estão em aula.

Maria Cristina destaca que o ritmo dos alunos é outro aspecto que merece atenção. No 5º ano, com uma professora apenas, as aulas tendem a ser mais lentas. No 6º, com aulas de 45 minutos, a dinâmica de ensino se acelera um pouco, demandando agilidade. As aulas também ficam mais densas, exigindo maior concentração. "Às vezes, o quadro está cheio quando chego. Não posso entrar e já ir logo apagando. Sempre dou um tempinho para que todos terminem de anotar", explica. Em geral, superado o primeiro bimestre, a moçada já está acostumada ao andamento das aulas e acompanha as atividades com facilidade.

Talvez a mais importante aliada nesse processo de adaptação seja a capacidade de organização (leia mais no quadro acima). No início, é normal, por exemplo, as crianças se confundirem na separação do material didático: se esquecem de trocá-lo de um dia para o outro ou, por inexperiência, levam tudo diariamente. Nesse sentido, orientações pontuais ajudam até que seja assimilada essa nova necessidade de separação de livros e cadernos. Quando possível, o ideal é que os alunos já cheguem ao 6º ano cientes do horário das aulas e sabendo usar a agenda.
Foto: Kriz Knack
FERRAMENTA EXTRA Na agenda eletrônica do Colégio Magno, os alunos acompanham a data das tarefas. Foto: Kriz Knack
De fato, desde o 5º ano, é importante incentivar o registro das tarefas nos respectivos dias de entrega. A agenda na versão de papel e para uso individual dá conta dessa organização básica, mas há escolas que adotam também uma agenda eletrônica coletiva. No Colégio Magno, em São Paulo, cada aluno tem um login e uma senha para acessar a relação de atividades de sua classe por meio do site da escola. Os pais também têm a possibilidade de consultar. A lista é simples: indica a disciplina, a tarefa, a data de solicitação e a de entrega. "Estamos diante de uma geração que entra na internet todos os dias. Já faz parte do cotidiano", conta a diretora, Cláudia Tricate.

As agendas coletivas, além de disponibilizar informações confiáveis, têm a vantagem de compartilhar dados entre os professores. Isso é fundamental para evitar o acúmulo de atividades em um mesmo dia, prevenindo uma eventual sobrecarga, especialmente sobre a garotada que ainda está insegura. As experiências mostram que auxiliar na passagem entre as duas etapas é uma jornada muito útil. Ajuda a diminuir a ansiedade e, com isso, facilita a aprendizagem.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)