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sábado, 27 de abril de 2013

LITERATURA INFANTIL: Recontandos Histórias


O CAVALINHO BRANCO
À tarde, o cavalinho branco
Está muito cansado:
mas há um pedacinho de campo
onde é sempre feriado.
O cavalo sacode a crina
loura e comprida
e nas verdes ervas atira
sua branca vida.
Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos
a alegria de sentir livres
seus movimentos.
Trabalhou todo o dia tanto!
desde a madrugada!
Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada
Cecília Meireles

RESUMO
A Literatura Infantil é um recurso rico em informações, e nos oferece um método prazeroso e divertido de ensinar crianças da Educação Infantil lições variadas e importantes para uma vida toda.
Este trabalho preocupa-se em mostrar como podemos utilizar este recurso na educação de crianças de 3 a 6 anos de idade e como ela pode ser significativa no eixo ensino/aprendizagem. Para realiza-lo, foi feita uma vasta pesquisa bibliográfica, entrevistas com educadores, pedagogos e psicólogos, os quais foram unânimes em afirmar que a Literatura é imprescindível na aprendizagem, não apenas para estas crianças de 3 a 6 anos, mas para todos. Estas pesquisas nos mostram como ela contribui no desenvolvimento cognitivo, físico e social destas crianças, pois a fantasia lhes proporciona um bem estar necessário para a fase que vivem.
O hábito da leitura também foi abordado e a importância de se conhecer o objeto livro desde cedo para se formar futuros leitores foi devidamente enfatizado. Na pesquisa de campo, utilizei, além de minhas vivências como educadora de creche, atuando com a faixa etária em questão, as experiências de colegas educadoras de outras creches e escolas.
Desta forma, não se pode negar que a literatura Infantil, com seus contos clássicos, poesias, lendas é uma grande aliada do educador no processo de socialização e aprendizagem do aluno, e que deve estar presente na rotina diária da escolinha ou da creche, pois é um momento mágico, que permite não só à criança, mas também ao professor voar para longe nas páginas de um livro.

INTRODUÇÃO
Literatura sempre foi para mim uma paixão, então,, quando veio a proposta deste trabalho, não pensei duas vezes, a elegi como tema para minha pesquisa, porque sempre acreditei que ela me proporcionava mais do que prazer e distração, ela me dava sabedoria e informação. Se ela é boa para mim, por que não seria boa para as crianças com as quais trabalho?
Mesmo antes de adentrar este curso, lia diariamente para minha filha de 4 anos, o maior motivo da escolha do tema, e para as crianças da creche em que trabalho, que preenchem a faixa etária de 3 a 6 anos, principalmente. Esta rotina faz parte do meu dia-a-dia e do delas também, pois é uma atividade muito agradável, para todos nós ( eu e elas ).
A princípio, me preocupei principalmente com informações retiradas de livros, ou seja, a pesquisa bibliográfica, que se referissem à Literatura para crianças ainda não alfabetizadas, mais propriamente para crianças de 3 a 6 anos de idade.
Meus objetivos são, mostrar a trajetória histórico-cultural da literatura Infantil, assim como seus principais autores; mostrar a evolução da sociedade e da instituição escolar em relação à infância e abordar a utilização da Literatura na sala de aula, mesmo com crianças que não saibam ler; a arte de contar e re-contar histórias; o papel dos quadrinhos no processo de alfabetização destas crianças e como forma de material literário; o hábito de leitura em pré-escolares e a importância das bibliotecas como meio gratuito de acesso aos livros.
Complementando a pesquisa bibliográfica, realizei algumas entrevistas com educadores, pedagogos e psicólogos, assim como com as crianças e suas preferências de leitura, tudo aliado à minha vivência na sala de aula e experiências de educadoras da Educação Infantil do Município de Mogi Mirim, tudo para mostrar como esta preciosa ferramenta pode nos ajudar no ensino e no desenvolvimento dos alunos. Além de proporcionar momentos agradáveis no mundo do faz-de-conta, estaremos formando novos leitores.

1. PANORAMA HISTÓRICO DA LITERATURA INFANTIL
A Literatura Infantil é um produto cultural da sociedade contemporânea que oferece à criança um meio de educá-la através de fábulas ou narrativas.
Contar histórias é um costume antigo, e foi a partir deste originou-se a Literatura Infantil. A Literatura Infantil da adaptação de contos populares contados por pessoas comuns em rodas de história. Antes disso, não havia preocupação em incluí-las na família ou na sociedade, porque a infância era totalmente desconsiderada, as crianças participavam, juntamente com os adultos, da vida política e social, testemunhavam as guerras, a vida, as festas.
[...]Antes não se escrevia para elas, porque não existia infância.  (ZILBERMAN, 1985, p. 13)
O livro “infantil” mais antigo de que se tem notícia, o “Livro dos Cinco Ensinamentos”, datado do século V e VI a.C., escrito em sânscrito, cujo conteúdo era ensinamentos religiosos e políticos, dirigido às crianças através de fábulas e narrativas. Na Idade Média, com objetivos de educar moral, político e religiosamente, eram escritas fábulas em manuscritos, podiam ser histórias romanceadas, contos de cavalaria, canções gesta e o bestiário (coleção de histórias sobre animais reais ou imaginários)
Algumas obras foram publicadas, no século XVII, durante o classicismo francês, posteriormente classificadas como literatura infantil, como: Fábulas, de La Fontaine, editada
entre 1668 e 1694; As aventuras de Telêmaco, de Fénelon, editadas em 1717; e o mais conhecido de todos, Os Contos da Mamãe Ganso, de Charles Perrault, publicado em 1697. Comênio, educador tcheco, foi um dos primeiros estudiosos a creditar que a literatura infantil deveria divertir e ensinar e lançou, em 1658, o primeiro livro infantil ilustrado O Mundo em Quatro Quadros, no qual as ilustrações tinham papel fundamental.
Charles Perrault é considerado o grande precursor da literatura infantil, apesar de ter negado o gênero ao atribuir a autoria de Os Contos da Mamãe Gansa, (coletânea de vários contos como: A Bela AdormecidaO Barba AzulO Gato de BotasAs Fadas,Chapeuzinho Vermelho, etc.) a seu filho, por temer ser ridicularizado pela Academia Francesa de Letras, da qual fazia parte, mas graças a esta obra, foi imortalizado.
Quando a infância surge, com conotação sócio-econômica no seio da sociedade burguesa do século XVIII é que se enfatiza o ser infantil no âmbito pedagógico, iniciando assim, o interesse da criação de uma literatura específica, onde a adaptação dos contos populares e folclóricos alavancasse a inserção da criança culturalmente na sociedade, partindo deste ponto, pode-se dizer que realmente começam a surgir, no mercado livreiro, livros específicos para o público infantil, isto ocorre na primeira metade do século XVIII.
Daí em diante, a Literatura Infantil passou a ser considerada uma vertente da literatura geral, expandindo da França para a Inglaterra, onde fortaleceu-se com a Revolução Industrial, que assinalou o período com atividades renovadoras nos setores econômicos, sociais, políticos e ideológicos da época.
Com o apogeu do crescimento urbano, a sociedade burguesa se fortalece como classe social dominante, pregando a família como instituição, pregando a vida doméstica, deflagrando um modelo a ser seguido, com o interesse financeiro embutido ocultamente. Este estereótipo converte-se na finalidade existencial do indivíduo, tendo como beneficiário maior, a criança, impondo a preservação da infância enquanto meta de vida – o que favoreceu o crescimento industrial ligado ao novo membro da família, como a industrialização de brinquedos, livros e o surgimento de novos ramos da ciência (pedagogia, psicologia infantil, pediatria).
Dentro deste paradigma é que a literatura infantil emerge, atuando na educação da sociedade infantil burguesa. Alguns títulos sobressaíram neta época, livros que agradavam tanto adultos como crianças: Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, publicado em 1719 e Viagens de Guliver, de Jonathan Swift, publicado em 1726.Em meados do século XVIII, o inglês John Newberry, fundou a Biblioteca Juvenil, primeira editora de livros para crianças.
Neste século, houve, também, outra grande mudança na sociedade, a escola surge como uma instituição que objetivava fortalecer a política e a ideologia burguesa. Com o crescimento e a “popularização” da escola, a Literatura Infantil adentra o século XIX com grande força.
No século XIX, a literatura passa a ser escrita e re-escrita, sendo precedida de sucesso no século anterior. Novos autores surgem, consagrando a literatura infantil com contos que se tornaram clássicos.
Para a autora Nelly Novaes Coelho, este século é considerado renovador, pois a criança passa a ser vista como ser que necessitava de cuidados específicos para seu crescimento físico, psicológico e cognitivo, surgindo, então, novos conceitos de vida, educação e cultura, abrindo novos caminhos para a área pedagógica e literária.
Pode-se dizer que é nesse momento que a criança entra como um valor a ser levado em consideração no processo social e no contexto humano. (COELHO,1985,p.108)
Dentre os autores que se destacaram neste século por suas obras podemos citar:
Os Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm Grimm), que escreveram seus contos baseados na memória popular de seu povo, como narrativas de lendas, contos folclóricos e histórias de sua terra ( Alemanha ), todas conservadas por tradição oral. Seus contos agradavam tanto os adultos como as crianças, pois continham o fantástico, a fantasia e o mítico. Sua mais famosa obra foi “Contos de Fadas para Crianças e Adultos”, publicado entre 1812 e 1822, onde estavam escritos os contos: A Bela AdormecidaOs Músicos de BremenOs Sete Anões e a Branca de NeveO Chapeuzinho VermelhoA Gata BorralheiraAs Aventuras do Irmão FolgazãoO CorvoFrederico e CatarinaO Ganso de OuroA Alfaiate ValenteO Lobo e as Sete CabrasO EnigmaO Pequeno PolegarJoãozinho e Maria entre muitos outros.
Hans Christian Andersen retratava em suas obras o cultivo dos valores de seus ancestrais, revelando o valor de sua raça nórdica com grande patriotismo. Seguia a linhagem dos irmãos Grimm, porém com obras mais amadurecidas, já que começara a escrevê-las vinte anos após os Grimm. Teve 168 contos publicados entre 1835 e 1872, entre eles estão: O Patinho FeioOs Sapatinhos Vermelhos,, O Rouxinol e o Imperador da ChinaO Soldadinho de ChumboOs Cisnes selvagensa Roupa nova do ImperadorJoão e MariaJoão Grande e João Pequeno, etc.
A grande diferença dos contos dos Irmãos Grimm e Andersen estavam no fato de que os contos de Andersen, além de possuírem fantasia, estavam ligados ao cotidiano.
Outras obras fizeram muito sucesso e são conhecidas até hoje, como: Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol; Pinóquio, de Collodi; Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas; Vinte Mil Milhas Submarinas, de Júlio Verne; Mogli, o Menino Lobo, de Rudyard Kipling; Tarzan da Selva, de Edgard Rice Burroughs; Peter Pan, de James M. Barrie; etc.
1.1 A LITERATURA INFANTIL NO BRASIL
Enquanto a Europa lançava seus primeiros livros infantis às vésperas do século XVIII, no Brasil, a produção e publicação foram tardias, quase no século XX, embora haja alguns registros datados do século XIX. Tudo começou com a implantação da Imprensa Régia por D. João VI, em 1808, quando algumas obras literárias voltadas para crianças começaram a ser publicadas, como a tradução de “As Aventuras do Barão Munkausen”, mas foi no entre século (XIX e XX) que a produção de livros infanto-juvenis se fortaleceu, devido à nova visão de educação que se estabelecera no país, as traduções e adaptações de livros firma-se e a consciência de que uma literatura própria, que valorizasse o nacional se fez necessário. Inicialmente, esta mudança começou na escola, com o surgimento de “livros de literatura” e livros de educação religiosa para crianças e jovens. Estes livros foram os primeiros esforços para esta nacionalização da literatura infantil.
A Literatura Infantil apresenta, no Brasil, um campo de trabalho tão extenso e desconhecido, que ocorre com o investigador o que se passou com Cristóvão Colombo: pensa-se ter descoberto o caminho para as Índias quando, de fato, mal tangenciou um continente inexplorado cujo perfil exato ainda está por ser definido. (ZILBERMAN, 1985, p.9)
O primeiro livro lançado no Brasil com grande repercussão no meio escolar foi o “Livro do Povo”, escrito por Antônio Marques Rodrigues. Nesta mesma linha, foram lançados: “Método Abílio”, por Abílio César Borges; “O Livro do Nenê”, por Meneses Vieira;“Série Instrutiva”, por Hilário Ribeiro; entre outros.
Logo após esta fase, contos para diversão da infância começaram a ser escritos por autores nacionais, como “Contos Infantis”, de Júlia Lopes de Almeida, reunindo mais de sessenta narrativas em verso e prosa.
“Contos da Carochinha” foi a primeira coletânea brasileira de literatura infantil, com o intuito de traduzir, para a Língua Portuguesa, contos estrangeiros de sucesso, iniciativa tomada por Alberto Figueiredo Pimentel, conquistando fama por tentar popularizar a literatura no Brasil.
Mais algumas obras e autores: “Livro das Crianças”, de Zalina Rolim; “Leituras Infantis”, de Francisco Vianna; “Era Uma Vez”, de Viriato Correia; “Biblioteca Infanto”, de Arnaldo Barreto.
Grande parte dos esforços para a popularização dos livros para crianças deve-se aos nomes acima citados e a muitos outros, porém, o principal escritor que demarcou a literatura infantil entre o ontem e o hoje foi Monteiro Lobato, que veio a completar o que faltava nesta corrente área no Brasil.
Iniciou sua carreira na literatura infanto-juvenil com o livro “A Menina do Narizinho Arrebitado”, publicado por sua própria editora, a Monteiro Lobato & Cia, e com o sucesso desta obra, logo surgiram outros títulos, que misturavam o real e o maravilhoso, de forma a não separa-los mais e (con) fundi-los, como os personagens do famoso e lendário “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, onde personagens reais (Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Tia Nastácia, etc.) interagem com personagens irreais (Emília, Visconde, Rabicó, Saci, etc.) e ambos existindo na mesma verdade, dentro do universo do faz-de-conta lobatiano, perdurando durante o tempo e fazendo que várias gerações morem no Sítio.
Ando com idéias de entrar por esse caminho: livros para crianças. De escrever para marmanjos já me enjoei. Bicho sem graça. Mas para criança um livro é todo um mundo[...] (LOBATO apud COELHO, 1985, p. 187)
Outras obras de Monteiro Lobato, publicadas entre 1920 e 1942: “O Saci” – “Fábulas” – “O Marquês de Rabicó” – “A Caçada da Onça” – “A Cara de Coruja” – “Aventuras do Príncipe” – “O Noivado do Narizinho” – “O Circo de Cavalinho” – “A Pena de Papagaio” – “O Pó de Pirlimpimpim” – “As Reinações de Narizinho” – “Viagem ao Céu” – ” As Caçadas de Pedrinho” – “Emília no País da Gramática” – ” Geografia de Dona Benta” – “Memórias de Emília” – “O poço de Visconde” – “O Pica-Pau Amarelo” – “A Chave do Tamanho”, entre várias adaptações de contos clássicos da literatura infantil mundial.
Após Monteiro Lobato, a literatura infantil foi contemplada, no Brasil, com a contribuição de novos autores, multiplicando-se, assim, seus valores pedagógicos, com interesse no desenvolvimento intelectual e na diversão infantil, como algumas obras lançadas nas décadas de 80 e 90: O Menino Maluquinho, de Ziraldo; Marcelo Marmelo Martelo, de Ruth Rocha; Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque; A Bolsa Amarela, de Lígia Bojunga Nunes; A Arca de Noé, de Vinícius de Moraes, e muitas outras.

2. LITERATURA INFANTIL E A ESCOLA
Com a valorização da infância no decorrer dos séculos, gerou-se meios de controlar o desenvolvimento intelectual da criança, e com isso, a manipulação de suas emoções, inventando-se a literatura e reformando-se a escola.
A infância proporcionou tratados de pedagogia, por ser considerada uma etapa etária de conceito demarcado, propondo assim, que esta fase da Vida seja diferente da fase adulta. Com esta nova visão de infância, da criança como ser que necessita de cuidados e improdutiva, a escola passa a assumir um duplo papel – o de introduzir a criança na vida adulta e ao mesmo tempo protege-la das agressões do mundo exterior.
Desta forma, os primeiros textos infantis foram escritos por pedagogos e professores para que houvesse conotação educativa, porém, a obra literária também pode reproduzir o mundo adulto, seja através do narrador, através dos padrões comportamentais explícitos ou implícitos na história e de sua linguagem, a qual se pretende que a criança aprenda – tudo sofre interferência do adulto, que pode usar a realidade imaginária para expor sua ideologia.
O que demonstra a falsa inocência do gênero, pois quando se percebe sua intenção moralizante, o texto se revela um manual de instrução. (ZILBERMAN, 1985, p.20 e 21)
Mas a educação e os educadores passaram por grandes mudanças no decorrer dos tempos, várias linhas pedagógicas surgiram para que a escola crescesse e, assim, mudasse sua
perspectiva de educação e de aluno, a criança conquistou seu real valor e, hoje, por ela e para ela são feitas as aulas. Hoje, professores são unânimes em afirmar que o fato de ouvir histórias na idade pré-escolar é muito importante para o desenvolvimento da criança, iniciando-a como um aprendiz de leitor, porque, pelo simples fato de escutar uma história, a criança desenvolve um esquema de texto narrativo, percebendo que em todas elas há início, meio e fim, e se envolvem de tal maneira que, ao contá-las, têm a certeza de que realmente aconteceram, mesmo que seja de faz-de-conta, desenvolvendo sua memória e sua imaginação.
É papel da Escola auxiliar na formação de leitores que produzam sentido por meio de diálogo com diversos gêneros literários.(ANDRÈ,  2004, p. 19)
Apesar desta grande conquista, o educador luta ainda contra outro fator que acomete o hábito da leitura: a tecnologia. Hoje as crianças passam muito tempo em frente a televisão, no vídeo game, no computador, já que este proporciona efeitos sedutores ao público infantil. Cabe ao professor oferecer a estas crianças a literatura de forma prazerosa e atraente.
A Literatura Infantil auxilia na aquisição do gosto pela leitura e contribui para o desenvolvimento infantil, pois resgata o lúdico na aprendizagem e, proporciona um prazeroso contato com a linguagem escrita, tornando-se uma importante ferramenta para a alfabetização, o conhecimento de mundo e o autoconhecimento.
Ao contar histórias, o professor propicia à criança, seu primeiro contato com a linguagem escrita padrão, que é diferente da linguagem oral que utilizamos para conversar, além de aumentar o vocabulário do aluno, já que muitas das palavras que não conhecem, escutam-na pela primeira vez ao narrar de uma história, e, ao praticar esta atividade, o professor estará promovendo o desenvolvimento de estratégias de processamento e linguagem, importante para o sucesso posterior na escola.
É muito importante que esta atividade seja rotina para crianças da Educação Infantil (3 a 6 anos), por que a Literatura Infantil permite que a criança preencha algumas lacunas presentes em sua pequena vida. Através dos livros ilustrados e com pequenos textos, da história oral, da leitura de histórias e poesias a criança entra em mundos diferentes ao da sua realidade, como afirma o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil:
A ampliação do universo discursivo da criança também se dá por meio do conhecimento da variedade de textos e manifestações culturais que expressam modos e formas próprias de ver o mundo, de viver, de pensar [...] músicas, poemas e histórias são um rico material para isso. (REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA EDUCAÇÃO INFANTIL, 1998, p. 139)
A narração do professor é o meio pelo qual a criança pré-escolar interage com o mundo da fantasia proposto pelo livro. Em minha prática diária, utilizamos a rodinha para apresentar os livros às crianças, pois assim, a criança aprenderá a narrar através de jogos de contar histórias e através de brincadeiras, como a dramatização, nas quais reproduzem textos variados que já lhes são conhecidos e utilizando termos característicos do faz-de-conta, como “Era uma vez…” e “Foram felizes para sempre.”, tudo enquadrado no contar histórias feito diariamente.
A criança tem seu jeito próprio de ler e contar histórias, pois a leitura compreende muito mais do que decodificar letras e sílabas, implicando em um conjunto de ações como a interpretação de desenhos e figuras.
A criança que ainda não sabe ler convencionalmente pode fazê-lo por meio da escuta da leitura do professor, ainda que não possa decifrar todas e cada uma das palavras. Ouvir um texto já é uma forma de leitura. (REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL, 1998, p. 141)
Nesta fase, a criança que tem acesso a materiais de leitura e um professor que conta histórias de forma prazerosa, desenvolverá apreciação pela literatura e terá no professor um modelo a seguir.
A relação com o livro antes de aprender a ler auxilia a criança a torna-lo significativo como um objeto que proporciona satisfação. Isto ocorre porque, ao tocar, manusear, olhar, alisar o livro e brincar com suas folhas e gravuras, a criança sente um prazer similar ao proporcionado por um brinquedo. (ANDRÉ, 2004, p.18)
As histórias podem ser apresentadas, não apenas pela leitura de livros, mas, de diversas maneiras, contudo, deve-se levar em conta a disponibilidade de tempo do educador e a faixa etária a ser trabalhada. Deve-se procurar diversificar as dinâmicas utilizadas para contar histórias, para que a cada dia haja mais interesse por este momento. Pode-se explorar a leitura oral utilizando-se de gravuras de apoio, da leitura simples, da história espontânea, das dramatizações com as crianças, com fantoches, com os dedos, através de discos infantis, história sem texto e muitos outros recursos.
A partir destas modalidades de leitura, podemos desenvolver várias atividades como: construção de fantoches com sucata, com papel, pano; realização de desenhos, colagens, pinturas; atividades de expressão corporal, mímicas, dramatizações; criação coletiva de novos finais para a trama; novas ilustrações para a confecção de livros; construção de um texto coletivo; confecção de jogos da memória, dominó, etc; e, é deixar a criatividade levar-nos a explorar este vasto caminho literário.
A idade pré-escolar nos possibilita trabalhar a literatura de várias formas e utilizando um material textual diversificado, ampliando o conhecimento de mundo da criança. Desde que a criança entra na escola, por volta dos 3 ou 4 anos, ela se habitua com uma rotina, o que lhes oferece segurança. Em todas as séries da Educação Infantil, uma atividade é diariamente garantida: a hora do conto ou a hora da história. Esta é uma atividade de escuta, que propõe a interação da criança com o texto, alimentando a imaginação do aluno, possibilitando o trabalho de inúmeros conteúdos das várias áreas e de diversos tipos de texto.
Em pesquisa realizada nas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI’s) e Creches Municipais de Mogi Mirim, podemos comprovar que a literatura tem sido devidamente trabalhada com os pré-escolares, de forma a fazer parte da rotina e ser festejado o Dia do Livro com danças e teatros, realizados pelos alunos, o que nos mostra que as escolas de Mogi Mirim estão no caminho certo quanto à formação de futuros leitores.
A utilização de temas transversais na pré-escola, em grande parte, deve-se à Literatura infantil, que permite ao educador trabalha-los através de histórias. Muitas coleções são lançadas com este objetivo e hoje, são facilmente encontradas em livrarias e escolas de Educação Infantil.

A pluralidade cultural também pode ser abordada através da literatura. Conhecer culturas e povos diversos pode ser fascinante para as crianças, que adentram nas histórias e viajam por lugares outrora tão distantes com personagens maravilhosos, e, podem entender, porque cada povo tem um costume diferente, mas para isso, é preciso que o educador se empenhe em uma pesquisa, que deve ser bem elaborada e de acordo com a faixa etária trabalhada, e que englobe a geografia, a história, a cultura e os aspectos sociais do local, como por exemplo, a história de Alladin, que vivia na Arábia, apontamos a localização, sua origem, seus costumes, assim como as histórias típicas do folclore brasileiro, onde cada região tem suas lendas e crendices, este é um vértice para se trabalhar as diferenças culturais de nosso país, etc.
A questão do preconceito também pode ser abordado, através de contos clássicos, como O Patinho Feio, de Andersen, ou até mesmo por uma história mais atual, como Menina bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, ambas falam das diferenças raciais e como podemos lidar com elas na sala de aula, interagindo com a criança de forma que ela ocupe o lugar da personagem, e reflita como se sentiam na história e que isso acontece na vida real, até mesmo na sala de aula.
Desta forma, a Literatura estará agindo consciente e inconscientemente na vida de cada criança que tem a oportunidade valiosa de escutar e fazer parte deste momento do conto, crescendo, assim, como ser humano e aprendendo a respeitar e a conhecer as diferenças do outro.

3. ( RE ) CONTANDO HISTÓRIAS
Contar histórias é um costume muito antigo e hoje passa a ser uma rotina nas escolas de Educação Infantil.
Por mais que a tecnologia adentre em grande parte dos lares, com a TV, o videogame e o computador, o educador aceita, diariamente, o desafio de despertar nas crianças desta tenra idade (3 a 7 anos), o prazer pela leitura, não que esta tecnologia seja desnecessária ao desenvolvimento da humanidade, mas, a batalha dos professores deve ser, não contra o progresso, e sim contra a má apresentação que os livros sofrem nas escolas, tornando-se, muitas vezes, chatos. Para trabalhar com a literatura, deve-se torna-la prazerosa, atraente, criativa às crianças, a começar pela seleção dos livros, que devem ser adequados à faixa etária trabalhada, a partir do seu desenvolvimento cognitivo. Para cada idade há uma característica de leitura:
  • Aos 3 anos as histórias devem ser curtas, com poucos detalhes e personagens. Nesta idade a criança encara a história como se ela fosse real, tudo tem vida e há comparação com sua realidade e tentativas de explicar e mostrar como são.
  • Dos 4 aos 5 anos, a criança começa a exigir, pouco a pouco, histórias mais elaboradas, de simples compreensão,porém, com mais riqueza de vocabulário. Nesta idade, a criança
  • ainda se assusta facilmente, pois ainda não consegue distinguir, por completo, realidade e fantasia, por isso, é preciso tomar cuidado com a entonação de voz. Esta fase é comum a criança criar suas próprias histórias a partir de ilustrações e imagens.
  • Dos 6 aos 7 anos, descobre-se um novo momento literário nas crianças, pois é a fase que a criança começa a aprender a ler, começa a tentar decifrar as palavras. As histórias continuam curtas, com um vocabulário simples e conhecido, e devem conter fatos que façam parte do cotidiano, mesmo que de modo subjetivo.
3.1 CONTANDO HISTÓRIAS
É ouvindo histórias que a criança aprende a lidar com as emoções, muitas delas ainda desconhecidas. De acordo com Bettelheim (1980), todo conto de fada emite ao leitor/ouvinte uma idéia importante ao consciente, ao pré-consciente e ao inconsciente que ajudam a lidar com os problemas comuns ao homem, de qualquer natureza, como o medo da morte, o medo do abandono, sentimento de culpa, raiva, inveja, entre muitos outros; e o conto de fada oferece resoluções para estes problemas, pois incentiva a lutar contra as adversidades e dá a idéia de que a vitória é possível.
Bettelheim (1980), ainda afirma que o educador não deve salientar, nos contos de fadas, a lição moral e os conteúdos psicológicos que estes pretendem passar, mesmo que subjacentemente, porque os benefícios do conto de fada acontecem no inconsciente.
Para contar histórias, não é preciso um modo especial, ou até mesmo um dom, mas há, porém, algumas estratégias para tornar este momento mais agradável e proveitoso, tanto para o leitor/contador como para o ouvinte:
É importante que a história agrade não apenas as crianças, mas também aquele que vai contá-la;
A história deve despertar alguma coisa em quem vai contá-la: ou porque é bela e divertida, ou porque tem uma boa trama, ou porque acalma uma aflição… (ABRAMOVICH, 1989)
O leitor precisa conhecer a história, fazendo uma leitura prévia do texto, que deve ser escolhido de acordo com a idade.
As histórias devem ser contadas a partir dos livros de histórias, com fantoches, com dobraduras ou oralmente, sem apoio algum. O importante é que este ato se transforme em rotina, porque é um ato valioso para a educação infantil, pois permite à criança pensar, ouvir, sonhar e, mostra a função social da escrita.
As crianças devem participar da escolha da história, por mais que haja um conto preferido da turma, o educador deve respeita-los e, se for necessário cantá-lo repetidamente.
Deve-se organizar uma conversa antes do momento da história, para adiantar o tema a ser tratado no texto, para que haja entendimento da atividade e, par evitar possíveis interrupções.
Se a história contada estiver em um livro, o educador deve apontar as palavras que compõe o texto, para que as crianças possam acompanhar, por mais que não saibam ler. Se o material utilizado for fantoche, gravuras, bonecos e outros, a história oral deve ser contada o mais aproximado possível da escrita.
Explicações sobre a história, durante o contar, são totalmente desnecessárias.
Crianças até 3 anos, geralmente, gostam das que tratam de bichos, brinquedos e objetos, com personagens da vida real – papai, mamãe, vovó e vovô, irmãos; crianças de 3 a 6 anos gostam de histórias da fase anterior e outras de repetição e acumulativas, histórias de fadas, histórias de crianças; aos 7 anos – histórias de crianças, animais e encantamento, aventuras no ambiente próximo (família, comunidade), de fadas.(ZANOTTO, 2003, p. 6 )
A duração da história cabe ao interesse que cada faixa etária desenvolve, mas o importante mesmo é contá-la toda, lembrando que crianças de menor idade têm menor capacidade de concentração.
Após contar a história, é importante que o educador/contador mantenha aberto o diálogo entre ele e as crianças, satisfazendo possíveis dúvidas, ouvindo comentários sobre a história, etc.
O educador não precisa ater-se somente em histórias infantis ou contos de fadas, poesias e contos folclóricos também rendem ótimas histórias e atividades, além de ampliar o leque literário que se oferece à criança.
A poesia, quando lida, envolve a consciência fonológica da criança, com suas rimas e jogo de palavras. A rima desempenha papel importante na aquisição da consciência fonológica, porque possibilita a exploração de diferenças e semelhanças entre sons e palavras. Um bom texto para trabalhar é o poema de Cecília Meireles, Ou Isto ou Aquilo, onde trata de um delicioso e lúdico jogo de palavras, com várias sucessões de oposições.
Os contos folclóricos, ricos em cultura popular, oferecem, além de belas histórias, com encantamentos e criaturas maravilhosas, o conhecimento de provérbios populares, trava-línguas, brincadeiras de roda, cantigas e “causos”.
Na pesquisa que realizei com alunos de Mini Maternal (3 anos – creches Municipais), Maternal (4 anos), Infantil (5 anos) e Pré-Escola (6 anos), totalizando 330 crianças das EMEI’s e Creches Municipais, nos mostram que 54 % das crianças preferem escutar ou contar os contos clássicos, enquanto 46 % preferem outras histórias, pertencentes a várias Coleções que as escolas dispõe, como coleções de contos folclóricos, histórias sobre o meio ambiente, animais, fábulas, etc.
3.2 RECONTAR HISTÓRIAS
Após a apresentação da história pelo professor, é possível realizar várias atividades, como já foi dito, entre elas está a motivação da criança a recontar a história, com o simples objetivo de escuta-la. Ao ouvir uma história, a criança constrói em sua mente um esquema de texto narrativo, e é exatamente em sua memória que vai refazer este esquema para recontar a história.
É importante que o educador a oriente durante o seu recontar, para que possa prestar atenção nos elementos importantes do texto, como personagens, cenário, tempo, início, meio e fim. O educador pode interferir com questões como: O que aconteceu depois? E daí?, que ajudam a criança a recordar a história. Perguntas gerais, antes de começar a história podem ser feitas, com o objetivo de localizar a criança sobre o tema abordado no texto, a iniciar a história: Que história vai contar?, Sobre o que fala a história?, Quem são os personagens?, O que aconteceu?, Como a história termina?, Por que?, etc.
O educador pode, ainda, iniciar uma história e pedir que a criança continue, ou fazer uma história coletiva, onde cada criança conta um pedaço. Se a criança não se lembrar o professor pode auxilia-la, dando algumas pistas do fato a seguir. Esta atividade, se feita com freqüência, trará notável bem à criança, que cada vez mais se aperfeiçoara em seu esquema textual narrativo e recontará as histórias cada vez mais com riqueza de detalhes, pois estará estimulando e desenvolvendo sua memória.
O recontar histórias ainda não é usualmente praticado nas salas de aulas de Educação Infantil, mas pode ser uma atividade a acrescentar o trabalho do professor, não devendo substituir outros métodos aplicados na sala. É importante que o professor seja, às vezes, espectador das crianças, seja no recontar histórias, no dramatizar e até mesmo nas brincadeiras, pois assim, a criança terá maior confiança e intimidade com o educador, criando um laço importante par seu desenvolvimento nesta fase de descobertas.
Através desta atividade, pode-se estar fazendo uma avaliação da criança: seu desenvolvimento, sua capacidade de atenção e memória, sua fala, sua criatividade e desenvoltura ao contar uma história, pois neste momento, o educador terá sua atenção voltada a escutar as crianças, podendo, assim, avaliar tanto o desenvolvimento físico-cognitivo da criança como o resultado de suas aulas.
Deve-se, também, evitar estereótipos, como, por exemplo, dizer que todas as princesas são sempre loiras, todos moram em castelos, aqueles que não são bonitos não merecem destaques, etc. O importante é fazer com que a criança se sinta à vontade para criar suas histórias e se inserir nelas, como personagens e aceitar-se do jeito que são.
Algumas atividades complementares podem ser feitas a partir do recontar histórias. Como as crianças pré-escolares ainda não escrevem fluentemente, o professor poderá anotar na lousa a história, pedir para que cada um desenhe uma parte da história e montar um livro.
Vale lembrar que a atividade de recontar história não deve ser o centro da aula na Educação Infantil, mas também não deve ser descartada do currículo pré-escolar, pois contribui imensamente para o desenvolvimento da criança e do educador.

5. HÁBITO DE LEITURA E A BIBLIOTECA NA ESCOLA
Considerado um tesouro, o livro pode enriquecer o ambiente escolar, mas para que isso aconteça, é preciso torna-lo parte da vida de todos.
Para as crianças que ainda não sabem ler (pré-alfabetização) e para os que estão aprendendo a ler (alfabetização) é importante que se tenha contato com tal tesouro, pois, apresentando o livro desde cedo ao indivíduo, estará lhe fazendo um bem e propondo-lhe uma fonte inesgotável de prazer, diversão e informação.
A leitura pelo seu próprio mecanismo de reflexão e percepção, influencia na formação do indivíduo. Como possibilidade reflexiva, age na ativação da memória e da criatividade, na expressão oral e escrita, ou seja, os resultados da leitura como prática diária são cada vez melhores em qualidade e quantidade. (ROCHA, 1987, p. 40).
Na Educação Infantil, uma atividade é desenvolvida diariamente e é muito importante para as crianças: a Hora da História, onde o educador conta histórias para as crianças. Este é um momento valioso para as crianças fantasiarem sobre o mundo mágico que o livro propicia. Nesta faixa etária, de 3 a 6 anos, se apresentado corretamente, os livros podem fazer com que as crianças adquiram o hábito de leitura. Este hábito pode ser conquistado mesmo antes da criança entrar para escola, em casa, esta afinidade começa com as leituras que os pais fazem para os filhos. Por ser um hábito que se adquire gradativamente, é importante que a criança,
desde bebê, tenha a oportunidade de estar com os livros. Pais que já possuem o hábito da leitura e lêem rotineiramente para seus filhos podem ficar tranqüilos quanto a estes serem bons leitores.
O ideal que pais e filhos, mesmo nos de colo, possam compartilhar uma experiência gostosa, na descoberta do mundo dos livros.(SANDRONI; MACHADO, 1986, p. 12 )
Assim como ao conversar com os filhos os pais os preparam para explorar verbalmente o mundo, lendo, incentivarão os filhos a adquirir tão precioso hábito: o da leitura.
Além de casa, a escola e a creche também são ambientes propagadores deste hábito, sendo que, na creche, a criança entra em contato com os livros mais cedo que as crianças da escola, já que entram na instituição ao9s 4 meses de idade, enquanto na escola ingressam com 4 anos. Tornam-se então um meio importante de disseminação do hábito de leitura, já que no Brasil, os pais que lêem para os filhos são a minoria, e a biblioteca, juntamente com o professor, podem auxiliar nesta perspectiva.
Pensando nas crianças é que foram criadas as Bibliotecas Infantis, hoje, são várias espalhadas por todo país. A primeira foi fundada em 1935 e recebeu o nome de Biblioteca Monteiro Lobato e, tinha por objetivo, acolher crianças que não tinham condições de comprar livros e possuíam grande potencial a ser desenvolvido, ou seja, foi criado com perspectiva social.
Em 1978, foi criado o Fundo Nacional do Livro Infantil e Juvenil, preocupado com a questão do hábito de leitura em crianças e adolescentes. Se antes a preocupação era filantrópica, agora passava a ser pedagógica. Com esta mesma preocupação, foi criado o Centro de Estudos de Literatura Infanto-Juvenil (CELIJU), com apoio de técnicos e estudiosos da área. Nesta época, formou-se um novo pensamento acerca do livro e da literatura: a assimilação da linguagem ligada à universalidade e um saber que tradicionalmente esteve excluído da questão do hábito de leitura, ganhando assim, uma conotação universitária.
Ainda hoje, a biblioteca cultiva esta preocupação pedagógica e, é por isso que cada vez mais, profissionais da educação estão dispostos a leva-la para dentro da escola, para dentro da sala de aula, pois a biblioteca escolar tem funções a serem desempenhadas, como a função educativa, que incentiva os alunos a buscarem conhecimento, auxilia-os na formação de hábitos e quanto aos cuidados do manuseio; e a função cultural, pois complementa a educação formal, ampliando o conhecimento do aluno acerca do mundo e das culturas existentes nele, já que cada livro proporciona uma viagem ao leitor.
Como foi citado, toda criança merece ter a oportunidade de conhecer os livros desde cedo, e a melhor maneira de proporcionar este contato na Educação Infantil é criar cantinhos, destinados à leitura. Em Mogi Mirim, grande parte das Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI’s) e as Creches Municipais possuem este espaço, próprio para a leitura. Isto é a confirmação do bem que a leitura proporciona, e que as escolas de Mogi mirim estão dentro dos padrões do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, dando-lhes asas à imaginação, incentivando as crianças a criar, a voar nas páginas dos livros.
Este contato em local adequado para esta integração (criança e livros), trará efeitos positivos, não apenas como o hábito de leitura, mas também a responsabilidade, o cuidado, a independência, a cooperação, dentre outros.
As crianças deveriam freqüentar a biblioteca desde cedo, iniciando um contato agradável com os livros ilustrados mesmo antes da matrícula escolar. Poderiam se portar na biblioteca como quisessem, ficar sentadas ou deitadas, isto é, na posição que preferissem: importaria apenas o hábito que começa com o manuseio do livro que se inicia. (SANDRONI; MACHADO, 1986, p. 31).
Para proporcionar este contato, é preciso de um local agradável, onde os livros estivessem ao alcance das mãos. Podem ser acomodados em pequenas estantes ou caixotes. Os títulos devem agradar à criança que, nesta fase ( 3 a 6 anos ), ainda não sabem ler e conter muitas ilustrações, bonitas e coloridas, pois, é através dela que a criança irá “ler” a história. Os livros devem ser renovados, trazendo novidades.
Pode-se colocar almofadas sobre um tapete, para que cada um se acomode como melhor achar. Uma biblioteca infantil ou um cantinho de leitura não deve apenas ter livros, mas também uma grande quantidade de atividades para motivar as crianças, podem ser propostos jogos e brincadeiras. Por se tratar de crianças, o silêncio não seria exigido, pois a calma e os ruídos conviveriam juntos neste espaço.
O educador pode criar regras juntamente com as crianças, como, por exemplo, sobre o empréstimo dos livros, como manuseá-los, como colaborar para a organização do espaço, iniciando-os assim, nas responsabilidades. O professor pode propor ainda, aumentar o acervo de livros da sala com os livros criados pelas próprias crianças, assim, o aluno se sentirá parte da biblioteca.
Há tantos meios para despertar o hábito de leitura nas crianças que o educador de hoje deve sentir-se privilegiado, pela grande oportunidade que tem de criar novos leitores. O ponta-pé inicial foi dado, com a criação destas salas de leitura para crianças que estão nas escolas de Educação Infantil e das Creches, sinal de que estamos apostando em um futuro melhor para nossas crianças, pois, formando leitores, estaremos formando indivíduos críticos e também reflexivos, porque, é isso que a literatura proporciona, uma nova maneira de encarar os fatos e manter-se informado ao mesmo tempo que nos diverte e distrai.
Crianças de 3 a 6 anos de idade estão na fase do afloramento para adquirir hábitos, bons e saudáveis, desde que estes sejam parte de seu dia-a-dia, pois, o livro é muito mais que papel e tinta, é uma inesgotável fonte de conhecimento e prazer, é um passaporte para conhecer lugares que, muitas vezes, só existiram na imaginação de quem os criou, ele nos abre as portas para o infinito, para o passado e para o futuro, nos dá a oportunidade de ingressar em um mundo de cores e magias, no universo infantil!

6. CONCLUSÃO
Como pudemos ver, no decorrer deste trabalho, realmente não podemos abrir mão da Literatura enquanto recurso lúdico-pedagógico, pois, é através dela que o conhecimento chega a crianças tão pequenas.
Nesta fase (3 a 6 anos), a criança tem sede de informações e a melhor maneira de repassá-las é através da brincadeira, fantasiando, pois as histórias infantis têm muito mais do que princesas e bruxas, nos trazem lições implícitas em suas páginas, em meio ao faz-de-conta, e nos serve de ferramenta para abordar diversos temas, como a pluralidade cultural, problemas sócias, discriminação, etc., ou seja, uma gama infinita de conhecimento.
Tudo isso, pudemos comprovar com as pesquisas realizadas no decorrer deste trabalho, a partir das pesquisas realizadas. Pudemos conhecer a origem histórica da Literatura Infantil e sua finalidade, assim como seus principais autores, sejam eles do século passado ou atuais.
Se o costume de contar histórias está nos primórdios da civilização, em volta de fogueiras, precisamos leva-lo para dentro de nossas salas de aula, com o intuito não apenas de distração, mas com a consciência de que se for bem trabalhada, crianças, não apenas de 3 a 6 anos como abordado no trabalho, aprenderão, mesmo que inconscientemente, conceitos fundamentais para um amadurecimento saudável de seu conhecimento, seja ele de mundo ou de convivência, porque ao contar uma história, o educador mexe com os sentimentos da criança,muitos ainda desconhecidos por elas, com seu senso de espaço e coletividade, e, desperta, também, a memória e a criatividade através de atividades de dramatização ou re-contagem da história.
O hábito de leitura, acredito que foi devidamente abordado e explorado, nos mostrando que, desde que nascemos, é possível construí-lo, através de estimulação da leitura e até mesmo de se contar uma história antes de dormir, desenvolvendo assim, um esquema narrativo nas crianças que ainda não sabem ler.
Quando a criança ingressa na escola, ou creche, ela passa a ter, dependendo dos hábitos de sua casa, mais contato com os livros, por isso foi enfocada a importância de bibliotecas não apenas na escola, mas principalmente nas salas de aulas, levando, desta forma, os livros para mais perto das crianças, alternando a leitura em jogos e atividades variadas de faz-de-conta, voltado sempre para a aprendizagem. O material a ser usado pode ser diversificado, pois, mesmo com crianças tão pequenas, é possível se trabalhar com poesias, lendas, temas transversais, etc, basta que cada educador abra sua mente e crie uma aula interessante e proveitosa para ambos.
Fiquei muito feliz com os resultados de minhas pesquisas de campos, pois pude comprovar que, grande parte das professoras de Educação Infantil em nosso município (Mogi Mirim) faz uso da Literatura em suas salas, organizando exposições, teatros, danças e muitas outras atividades, sem se esquecer da preciosa “rodinha de leitura”, que é realizada diariamente nas Creches e E.M.E.I’s da cidade, valorizando o que esta arte tem de melhor e, assim, formando em cada criança um ser crítico para um futuro em que possam exercer esta criticidade e cidadania, pois, se tornando leitores, estarão bem informados e preparados para defender-se das agruras do mundo.
A Literatura Infantil só tem a acrescentar na Educação Infantil, pois, mesmo sem saberem ler, aprendem e nos ensinam valiosas lições e valores. Fico orgulhosa de estar contribuindo para a formação de novos leitores, pois sei que em cada história que li, plantei uma sementinha e rego-a todos os dias com novas e velhas histórias, e, principalmente, porque a principal sementinha foi plantada em minha filha, para qual leio história todas as noites, antes dela dormir, criando um vínculo eterno entre nós.

7. BIBLIOGRAFIA
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CD-ROM n.2 Windows 98
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Anexos
. MODELO DO QUESTIONÁRIO: COORDENADORES PEDAGÓGICOS:
Função e local de atuação:
Há quanto tempo trabalha com Educação Infantil?
Qual sua opinião sobre a Literatura Infantil enquanto recurso pedagógico para crianças de 3 a 6 anos?
Como você orienta os Educadores a trabalhar com Literatura Infantil?
Em que aspectos a Literatura contribui para o Desenvolvimento Infantil?
Autor: Ana Paula
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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)