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sábado, 29 de setembro de 2007

PRIMEIRAS LEITURAS

Cultivando o amor à literatura
O gosto pela leitura não nasce com as crianças, mas pode ser desenvolvido com a ajuda de pais e educadores. O bom professor deve semear nos alunos o amor pela literatura pois poucas crianças têm o hábito de ler em nosso País e a média é de um livro para cada criança brasileira, anualmente. A maioria tem um primeiro contato com a literatura apenas quando chega à escola. E a partir daí, vira obrigação, pois, infelizmente, muitos de nossos professores não gostam nem conhecem as técnicas da literatura e impõem a leitura, sem levar em conta o gosto e a faixa etária da criança. Muitas vezes, o livro indicado pelo professor está além das possibilidades de compreensão da criança, em termos de tema e linguagem.
A literatura não existe só para cumprir o papel de ensinar, mas muitas vezes é utilizada como "muleta" pelo professor. Em parte, isso se deve à triste realidade de nosso País, em que o hábito de leitura se restringe a uma pequena classe social que pode comprar livros. A literatura é uma arma poderosa. Lendo, a criança adquire saber, amplia sua visão de mundo, enriquece o vocabulário, desperta sua sensibilidade, criatividade e escreve com mais facilidade. Além de ingressar num mundo de fantasia a ser descoberto, onde deparam-se com histórias que divertem, fazem sonhar, suscitam dúvidas, dão respostas, apresentam novas emoções.Não está só na escola a responsabilidade de formar o leitor. Todo esse fabuloso processo deve ter início no lar, quando a criança ainda é pequena. Mais tarde, ao se alfabetizar, já será um leitor em potencial. A grande dificuldade encontrada pelos pais e educadores é que a criança não quer saber de nada disso: o que ela quer é brincar, ter prazer, ser feliz... Criança quer distância de obrigações. Tudo bem! O livro também serve para isso, basta transformá-lo numa brincadeira divertida. Veja como:- Quando os pais lêem, tudo fica mais fácil. As crianças adoram imitar os adultos e o fato deles ficarem concentrados nesta atividade já desperta a curiosidade delas.- Os livros podem ser apresentados à criança bem cedo, desde os seis meses de idade é possível. Uma excelente opção são os livros de pano, de plástico ou cartonados. Não rasgam, são resistentes e laváveis.
- Não repreenda a criança pequena se ela rasgar o que lhe cair nas mãos. Está na fase. Deixe ao seu alcance revistas velhas, gibis e qualquer material impresso que possa ser amassado ou rasgado, sem grandes prejuízos. Mais tarde, quando ela perceber que o livro deve ser bem tratado porque contém uma bela história, que poderá ser repetida muitas vezes, aprenderá a não destruí-lo.
- Para descobrir o que é apropriado para a idade da criança, basta ir a uma livraria especializada e conversar com vendedores especialmente treinados para orientá-lo na escolha certa. Leve a criança e deixe que ela ajude na decisão. Ela pode se encantar com uma ou outra capa colorida, o que é um dos motivos para-a escolha do livro. Afinal, o que importa é chamar sua atenção.
- Na faixa dos três a cinco anos de idade, a criança costuma adorar contos de fada que falam de princesas, madrastas e reis que, segundo a interpretação dos psicanalistas, correspondem às figuras do pai e da mãe, por quem a criança se apaixona nessa idade e cuja vivência ela precisa ter para crescer. Estas histórias colaboram para que seus sentimentos de ciúme, inveja e amor sejam vivenciados. Já os adolescentes gostam de aventuras, tudo que lhes mostre como é possível superar os problemas e que, afinal, eles são comuns a todo mundo.
- Aproveite as situações e invente historinhas, cujos personagens se identificam com as pessoas da casa ou da escola, com bichinhos, etc., tudo o mais próximo do dia-a-dia da criança.
- É muito bom que os pais ou professor participem da leitura, interessando-se pelas gravuras, perguntando à criança se gostou da história. Mas nada de questionários intermináveis que testam a compreensão do texto, e que associam leitura a dever, criando uma barreira à imaginação. A palavra está lá para ser compreendida e aproveitada. Só que cada criança compreende de uma maneira diferente, dependendo da vivência e sensibilidade de cada uma.Na escola, o material de leitura deve ser selecionado obedecendo a uma gradação e seqüência de acordo com a faixa etária, o gosto e a preferência dos alunos. Para facilitar o interesse, a aceitação e daí o gosto pela leitura, não esqueça a correlação com o real de suas vidas, o contexto sócio-cultural em que vivem. O bom professor é sempre um bom leitor e um incentivador da leitura. Para tal, deverá criar situações que estimulam os alunos para gostar de ler. Ele poderá estabelecer com a classe alguns horários destinados a atividades preparatórias ou que estimulem a leitura.
Eis algumas sugestões:
• Combinar com a classe um dia e hora para ouvir e contar histórias.
• Preparar e executar, perante os alunos, a leitura expressiva de uma história curta.
• Pedir a leitura de um mesmo livro, por bimestre, para toda a classe ou um livro para cada grupo de alunos.
• Incentivar a livre escolha de um livro da biblioteca de classe, ou da escola, para ler em casa.
• Brincar de teatrinho, dramatizando histórias lidas.
Através da literatura, a criança vive, revive, conta a história de novo para si mesma. Nesse movimento, vai desenvolvendo a imaginação e o próprio discurso. Ela ganha uma arma para dar certo na vida, porque é dona da palavra. E ganha uma arma para se afirmar como sujeito pensante, criativo e capaz de modificar a realidade, criticá-la e enfrentá-la. Ganha espaço e capacidade de ser respeitada. Por mais texto que tenham os livros de literatura, por mais rico que eles sejam, sempre deixarão espaço para a criança imaginar. Serão sempre um convite ao sonho.
Bibliografia:
- BEMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. S3o Paulo: Cultrix, 1977. - BETTELHEIM,
Bruno. A psicanálise dos contos de fada. Porto Alegre: Artes Médicas,

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)