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domingo, 19 de agosto de 2012

Gramática com textos: 6º ano - pretérito perfeito e imperfeito



Introdução 
Esta é a primeira de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.
Objetivos 
Reconhecer o uso dos tempos verbais no texto; 
Analisar os usos do pretérito perfeito e do pretérito imperfeito. 
Conteúdo - Tempos verbais do passado - pretérito perfeito e pretérito imperfeito. 
Tempo estimado  - Três aulas 
Ano  - 6º ano 

Desenvolvimento 
O trabalho a ser desenvolvido nas aulas apresentadas abaixo permite que os alunos reflitam sobre o uso de pretérito perfeito e imperfeito e sistematizem alguns conhecimentos a respeito deles. A escola deve ser um lugar de reflexão sobre a língua e de investigação. Ela não deve apenas oferecer regras, mas propiciar aos alunos que pensem sobre os usos e potencialidades da língua em situações de leitura e de produção de textos. Dessa forma, o ponto de partida do trabalho é a língua e seus usos e não a aplicação de regras dadas a priori. 

1ª etapa - Leia com os alunos a fábula O Urso e as Abelhas.

O Urso e as Abelhas
Um urso topou com uma árvore caída que servia de depósito de mel para um enxame de abelhas. Começou a farejar o tronco quando uma das abelhas do enxame voltou do campo de trevos. Adivinhando o que ele queria, deu uma picada daquelas no urso e depois desapareceu no buraco do tronco. O urso ficou louco de raiva e se pôs a arranhar o tronco com as garras na esperança de destruir o ninho. A única coisa que conseguiu foi fazer o enxame inteiro sair atrás dele. O urso fugiu a toda velocidade e só se salvou porque mergulhou de cabeça num lago. 

Moral: Mais vale suportar um só ferimento em silêncio que perder o controle e acabar todo machucado. 
Fábulas de Esopo. Tradução Heloisa Jahn, Companhia das Letrinhas, 1994, p. 24.
Pergunte a eles em que tempo se passa essa fábula, se no passado, no presente ou no futuro. Quando disserem que é no passado, diga a eles que, em Língua Portuguesa, existem vários tipos de passados e que o objetivo desse grupo de aulas é analisar o uso de duas dessas formas. 

Retire da fábula as formas simples do passado - pretérito perfeito e pretérito imperfeito. Escreva-as no quadro:

topou
servia
começou
voltou
queria
deu
desapareceu
ficou
pôs
conseguiu
fugiu
salvou
mergulho


Peça que os estudantes releiam a fábula e reflitam sobre os verbos identificados. Pergunte se esses verbos exprimem o passado da mesma forma. Vá repassando os termos que estão escritos no quadro. O primeiro verbo é "topou". Discuta com a turma o valor semântico dessa ação, que assinala, no interior da narrativa, uma atividade iniciada e acabada. O segundo verbo é "servia". Pare nesse verbo e indague se ele também expressa uma ação no interior da narrativa, indicativa de uma ação pontual, iniciada e concluída, ou se ele pressupõe uma duração que se prolonga por um tempo quando outra ação se realiza. 
Caso não consigam chegar a uma conclusão, pergunte qual seria a forma da ação iniciada e concluída desse verbo. Escreva então num canto do quadro as palavras "serviu" e "servia". Construa duas orações com esses verbos e indague-os sobre a diferença entre elas. Anote no quadro as duas orações e a explicação sobre a diferença de significados. Peça que eles as copiem. 

Repasse os outros verbos. O paradigma muda em "queria". Novamente, atente para a diferença de sentido desse verbo, que indica a manutenção, no tempo passado, de um desejo. Como no caso do verbo "servir", escreva duas orações uma com a forma "quis" e outra com a forma "queria". Levante com os alunos as diferenças de significado e as escreva no quadro. Peça que copiem as orações e as explicações. 
Ao final da aula, monte um quadro síntese em que se distingam os verbos que indicam uma ação já concluída e os dois que indicam ações que se mantiveram por um tempo indefinido no passado. 

2ª etapa 
Inicie a aula retomando os aspectos já vistos na aula passada. Faça os alunos lembrarem que há ações no passado que são pontuais, marcam atividades iniciadas e acabadas, e outras que se mantêm por certo período. 

Peça aos estudantes que sublinhem no texto as formas "começou a farejar", "se pôs a arranhar" e o trecho "a única coisa que conseguiu foi fazer o enxame inteiro sair atrás dele". Faça-os perceber que, nesses trechos, são utilizadas expressões em que há mais de um verbo. Solicite que os aluno, em duplas, reescrevam a fábula, transformando as expressões presentes nesses trechos em um verbo no pretérito perfeito ou no pretérito imperfeito. 

Eles devem manter o sentido do texto, mas podem realizar modificações na sua construção. 
Dê um tempo para que realizem a atividade e observe como o trabalho se desenrola nas duplas. Após o tempo estipulado, resgate o trabalho coletivamente. Observe as construções feitas, anote no quadro as possibilidades e as discuta. 

Dê aos alunos uma nova fábula e peça que eles a leiam e identifiquem os verbos que indicam ações já ocorridas e terminadas e aquelas que possuem certa duração no passado. 
Após essa identificação, peça que eles façam uma tabela distinguindo esses verbos. 

3ª etapa 
Faça a correção da atividade proposta na aula anterior. Retome os aspectos analisados nas duas primeiras aulas. Escreva no quadro os nomes dos tempos do pretérito do indicativo estudados: pretérito perfeito e imperfeito. 

Escolha, junto com os alunos, seis verbos que indiquem ações do cotidiano. Anote-os no quadro e proponha que a turma escreva as conjugações corretas de cada verbo na primeira e terceira pessoas do singular e na primeira e terceira pessoas do plural para os dois tempos do pretérito. Nesse momento, o uso da gramática é indicado. Certamente, eles encontrarão nela menção à conjugação dos verbos regulares e exemplos dos verbos irregulares. 

Exemplo: 
Verbo andar 
Pretérito perfeito: eu andei, ele andou, nós andamos, eles andaram. 
Pretérito imperfeito: eu andava, ele andava, nós andávamos, eles andavam. 

Informe aos alunos a existência do terceiro tempo do pretérito - o mais que perfeito. Indique o valor semântico desse tempo e diga a eles que o seu uso está associado, sobretudo, a textos escritos.
Diga aos alunos que, no caso da fábula O Urso e as Abelhas, o uso do pretérito imperfeito indica a manutenção de uma ação no passado que é concomitante a outra ação passada, mas essa forma do pretérito também pode indicar ações habituais no passado. 

Para finalizar, peça aos alunos que construam um pequeno comentário das duas fábulas lidas. Nesse comentário, eles devem usar verbos no pretérito perfeito e imperfeito. Peça a eles que assinalem esses verbos e elaborem uma explicação para o uso que fizeram.
Consultoria Conceição Aparecida Bento-Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora universitária.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
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A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)