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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Saúde do Professor: Meditação e relaxamento para aliviar o estresse


Yannik D´Elboux
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A série Saúde do Professor abordou ao longo deste ano os principais problemas associados à carreira docente. Na maioria dos casos, o estresse aparece como fator desencadeante ou agravante da enfermidade. O estresse é o principal vilão dos tempos modernos, e um inimigo já bem conhecido dos professores, frequentemente sobrecarregados pelo trabalho e pelas responsabilidades do ato de educar. Não é fácil transformar a dura realidade das escolas brasileiras, porém existem meios de levar o dia a dia da profissão com mais tranquilidade e serenidade.
As técnicas de relaxamento e meditação são um caminho para vivenciar o cotidiano com mais calma e menos estresse. Apesar de terem surgido no Oriente há milênios como práticas para o caminho espiritual, essas modalidades adquiriram uma conotação mais ampla, sendo cada vez mais usadas na busca de uma vida equilibrada. Alguns benefícios à saúde, sobretudo ligados à prática da meditação, também já estão sendo revelados por pesquisas científicas. Um estudo realizado durante 18 anos com 202 idosos hipertensos que praticavam a meditação transcendental diariamente, publicado no American Journal of Cardiology, mostrou uma redução significativa nos óbitos por uma série de enfermidades, em comparação aos pacientes tratados somente com medicamentos. As mortes por câncer diminuíram 49%, as ocasionadas por problemas cardiovasculares 30%, e as decorrentes de doenças em geral, 23%.
Segundo o professor do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Rojo Rodrigues, formado em Educação Física, ph.D. em Ciência do Yoga e coordenador do curso de pós-graduação em Yoga na UniFMU, as práticas de relaxamento e meditação exercem uma influência sobre o sistema nervoso parassimpático, produzindo um maior estado de calma. “Perceberemos mudanças no padrão respiratório, que se tornará lento, com movimentos abdominais e predominância expiratória. Perceberemos diminuição da frequência cardíaca e do tônus muscular. Estaremos relaxados, mas não sonolentos”, explica o professor, falando sobre os efeitos fisiológicos que ocorrem durante essas atividades.
No mundo de hoje, marcado pelo excesso de movimento e agitação, o sistema nervoso é constantemente bombardeado, o que leva ao surgimento de doenças. Isso é o que acredita Márcia De Luca, especialista em Yoga, Meditação e Ayurveda, e autora de diversos livros nesse segmento. Márcia afirma que a meditação e o relaxamento contribuem para o fortalecimento do sistema imunológico e para o equilíbrio hormonal, além de auxiliar os praticantes a terem mais foco e concentração. “É o antídoto perfeito para o estresse do dia a dia”, ressalta, enfatizando a importância de aquietar a mente.
A professora e psicopedagoga Márcia Fabiana Bianchi Marques, vice-diretora da Escola Estadual João Corrêa, em Canela (RS), e unidocente de uma turma de quinto ano do ensino fundamental na Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima, em Gramado (RS), conhece bem os benefícios de acalmar a mente e o corpo. Desde 2008, quando fez um curso de Meditação para Professores promovido pela ONG Mente Viva, que também desenvolve projetos nessa área com estudantes, Márcia incorporou a prática ao seu cotidiano, fazendo quase diariamente o exercício com os alunos por cinco minutos e também praticando individualmente de quinze a vinte minutos, três a quatro vezes por semana. “Vivenciando a técnica da meditação percebo que consigo ter um maior equilíbrio e calma interior para tomar decisões. A meditação aumenta a criatividade e a memória, diminui o nível de estresse e ansiedade, melhora a qualidade do sono”, relata a professora. A docente também percebeu um aumento em sua sensibilidade. Márcia acredita que, por natureza, os professores já possuem um instinto aguçado, que os permite notar quando um aluno está passando por problemas sociais ou emocionais, porém a meditação potencializa essa capacidade. “A prática de técnicas relaxantes parece apurar ainda mais esse instinto, tornando-nos mais sensíveis, compreensivos e tolerantes.”
Aqui e agora
Para quem já está impaciente só de ler essa reportagem, é importante reforçar que com um pouco de esforço qualquer pessoa pode aprender a meditar e relaxar. O ideal é praticar todos os dias, mesmo que sejam apenas cinco minutos (veja no quadro como fazer). Inicialmente, o mais indicado é procurar um lugar tranquilo e silencioso; entretanto, com a experiência, torna-se possível transferir esse estado de serenidade para outros locais e momentos do dia. Meditar facilita o processo de viver o aqui e agora. “A meditação pode ser entendida como estar onde você está, ou seja, manter a mente no que está fazendo. Fazer com atenção plena. Se estiver dando aula, pense na aula, nos alunos e qual a melhor forma de ajudá-los”, salienta Marcos Rojo, que também foi professor da rede estadual por 25 anos.
Os exercícios de relaxamento e meditação favorecem o autocontrole, habilidade indispensável aos educadores que precisam lidar com inúmeras situações de conflito no cotidiano escolar. Rojo lembra que ter autocontrole não significa negar as emoções, mas aprender a trabalhar os sentimentos de forma positiva e a mudar a maneira de encarar os problemas. Para a professora Márcia Marques, esse controle é o único caminho para conseguir enfrentar dificuldades como falta de limites e interesse dos alunos, casos de bullying, drogas, desrespeito e outras adversidades frequentes na escola e na sala de aula. “O professor, quando medita, aprende a lidar melhor com as próprias reações e os pensamentos. Ao meditar, cultivamos estados da mente que nos dão paz e bem-estar”, resume a educadora. 

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)