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terça-feira, 8 de julho de 2014

Propostas de produção textual 5

Música: Estação – Miltom Nascimento

Lugar – um espaço onde as pessoas se reconhecem (casa, família, escola, igreja);
Não-lugar – um espaço por onde as pessoas passam, mas não se reconhecem: aeroporto, estação, rodoviária...
· Cada participante deverá apresentar, oralmente, exemplos de lugar e de não-lugar.


PAISAGEM SONORA

· Em um minuto registrar todos os sons do ambiente: porta batendo, motores, crianças, buzina, tosse, ondas, pássaros....

· Cada participante faz uma descrição sonora de um ambiente “conhecido” numa determinada hora. A turma tenta adivinhar o lugar e a hora.

VALOR SENTIMENTAL

· Cada participante deverá trazer um objeto pessoal de valor sentimental e falar sobre ele para a turma.

MUSICANDO POEMAS

· Cada grupo deverá musicar um poema de um autor conhecido e em seguida apresentar para a turma.

FRASES PARA DEBATE

1. “A adoção é a maternidade gerada no coração, como a gestação natural é gerada no útero.” (Siro Darlan)

2. “Arte não é curtir por curtir, tem que ter um sentido, uma lógica crítica.”

3. “Uma leitura se torna significativa quando estabelecemos relações entre o objeto de leitura e nossas experiências de leitor.” (Pillar)

4. “Eu não tenho o hábito da leitura, eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento.” (Ariano Suassuna)

5. Segundo Madalena Freire, “a experiência pessoal define uma forma particular de ver o mundo, que depende do meio social, da época em que se vive, da sociedade a que o indivíduo pertence, da idade que ele tem. Portanto, a experiência de ler é muito particular, na medida que o caminhar pela vida é único para cada pessoa, desde a experiência intra-uterina à formação familiar, à opção religiosa, às brincadeiras preferidas.”

6. “Alguém pode te obrigar a ser escravo, mas não a ser livre. Liberdade é opção.”

7. “O apego leva à dor.” (Buda)

8. “...eu só crio oportunidades, as pessoas é que caem.” (diálogo do filme “O Advogado do Diabo”

9. “A tarefa primordial do educador é seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda.” (Rubem Alves)


RODA DE LEITURA

1. Você lê?
2. O quê?
3. Como?
4. Quando?
5. Por que?
6. Para quê?
7. Onde?
8. O que é ler?


NEOLOGISMOS

Millôr Fermandes escreveu sobre palavras que precisavam ser inventadas, tais como:
ABACATIMENTO – redução no preço do abacate.
ADOLAR – puxar o saco dos americanos.
AÇOUGUE – lugar onde se vende carne assada.

Agora, tente dar uma definição para as palavras a seguir:

a) Assassinatura –
b) Caligrafeia
c) Descendoente –
d) Carieoca –
e) Abensuado
f) Amorder –
g) Calvúcio –
h) Anãofabeto –

Agora, vamos criar pelo menos cinco neologismos e defini-los.

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professores apaixonados

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato.
Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
* Gabriel Perissé é Mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e doutor em Filosofia da Educação e doutorando em Pedagogia pela USP; é autor dos livros "Ler, pensar e escrever" (Ed. Arte e Ciência); "O leitor criativo" (Omega Editora); "Palavra e origens" (Editora Mandruvá); "O professor do futuro (Thex Editora). É Fundador da ONG Projeto Literário Mosaico ; É editor da Revista Internacional Videtur -Letras (www.hottopos.com/vdletras3/index.htm); é professor universitário, coordenador-geral da ong literária Projeto Literário Mosaico: www.escoladeescritores.org.br)